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sábado, 20 de fevereiro de 2010

andré novais


Não sou muito conhecedor de filmes em curta-metragem, pois delimitei minhas pesquisas no cinema brasileiro no formato longa, senão ficaria louco e perdido em meio a tanta produção, já que curta por aqui brota que nem coelho da cartola.

Mas ainda assim é claro que, vez ou outra, acabo vendo alguns e gostando muito.

(dois dos meus filmes prediletos são um curta e um média - Ilhas das Flores, de Jorge Furtado,que todo mundo gosta; e Socorro Nobre, de Walter Salles, que, parece, nem tanta gente assim. Isso sem falar em A Velha A Fiar, de Humberto Mauro, para sempre no meu imaginário)

Pois foi assim em uma sessão de curtas em BH, onde assisti dois filmes da Filmes de Plástico, produtora recém-formada e que reúne três cineastas talentosos, Gabriel Martins, André Novais Oliveira e Maurílio Martins - esse último querido amigo.

Como muita gente na platéia, é lógico que me diverti com Filme de Sábado, de Gabriel Martins, em que um mineiro dá seu jeito de trazer a praia para perto de si. Ainda que conheça pouco o Gabriel, acho o filme a cara dele - afetuoso e seríssimo na construção de sua estética.

Mas naquela noite o que mais me chamou a atenção mesmo foi o curta 150 Miligramas, de André Novais Oliveira.

Interessei-me por completo por aquela história de um adolescente que faz visitas ao psiquiatra, pouco fala com a mãe, conta seu sonho para o médico, solta balão no rio Arrudas, e acha um pouco o seu lugar na menina que gosta de ficar abraçada aos outros pacientes que esperam na sala de atendimento.

Além da história em si, que é boa e bem contada, achei que era um filme de um cineasta talentoso, e que até então não conhecia - e continuo não conhecendo, só já sei quem é.

Quando o menino solta o balão amarelo nas águas barrosas do Arrudas - rio poluído que cruza o centro da cidade de Belo Horizonte e que está no imaginário de quem vive na cidade e cercanias - mesmo depois que ele sai de cena e a bexiga segue seu curso, a gente vai junto e fica um pouco mais íntimo daquele garoto na frente da câmera e um pouco também do que está por trás.

Sabedouro do meu apreço pelo filme, Novais me presenteou com mais dois curtas seus: Uma Homenagem a Aluízio Netto, e o seu último filme, Fantasmas.

O primeiro, parece-me, ainda é um filme de escola livre de cinema. E ali a idéia é bem mais interessante que o resultado. Ainda que há clichês como imagens refletidas no espelho, vê-se com interesse ao filme, mesmo que ao final nem fique tanto dele. Dessa história de amor contada em dois tempos: um na linguagem dos discursos românticos prontos; e o outro também na cartilha dos discursos, só que dessa vez nas palavras de ordem comunistas.

E eis que se chega ao último, Fantasmas, exibido recentemente com sucesso na Mostra de Tiradentes.

Fantasmas é um filme do qual a gente gosta assim que a câmera é ligada. Com aquele muro que suja e cerceia um pouco a imagem, como saberemos também o quanto está cerceado e sujo o coração daquele que sofre de abandono.

Como em Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Karim Aiñouz e Marcelo Gomes, os personagens de Fantasmas também nunca são vistos. Mas como no filme da dupla, aqui também não temos uma simples narração, mas uma vivência que nos trás para aquela realidade, não de frente para o crime, mas para um posto de gasolina.

E em como Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro, os jovens de Fantasmas também exalam estetosterona. E falam de futebol e das miudezas de camaradagem - ou brodagem, como se prefere hoje.

Mas se a câmera permanece parada e vez ou outra tentamos perseguir os letreiros do ônibus, o coração de quem olha, na câmera, bate forte à espera de um milagre.

Mesmo que esse milagre seja ver de novo e em zoom a dor que invade esse mesmo coração, e da qual nos é impossível ficar imunes do lado de cá.

Mais que uma promessa, a Filmes de Plástico já mostrou a que veio.
E o jovem cineasta também.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

da vida (2)


Dias atrás, quis destacar os 10 filmes da minha vida e a lista acabou em 17 filmes, todos lembrados assim, de supetão.

Daí que agora relaciono mais alguns outros - sem ordem de preferência, pois todos são amados:

17 - Palácio dos Anjos, de Walter Hugo Khouri

18 - Asas do Desejo, de Wim Wenders

19 - Ondas Do Destino (foto), de Lars Von Trier

20 - A Dupla Vida de Veronique, de Krzysztof Kieslowski

21 - À Procura do Destino, de Neil Jordan

22 - Engraçadinha, de Haroldo Marinho Barbosa

23 - O Fundo do Coração, de Francis Ford Copola

24 - O Conformista, de Bernardo Bertolucci

25 - Coisas que Você Pode Dizer só de Olhar Para ela, de Rodrigo Garcia

26 - O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima

27 - A Grande Cidade, de Carlos Diegues

28 - Festa de Família, de Thomas Vinterberg

29 - Não Amarás, de Krzysztof Kieslowski

30 - O Estranho que Nós Amamos, de Dom Siegel

31 - A Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen.

32 - A Casa Assassinada, de Paulo Cézar Saraceni

33 - Marcas de Uma Paixão, de Mary Lambert

34 - Corações Loucos, de Bertrand Brier

35 - Matou a Família e Foi ao Cinema, de Júlio Bressane

36 - Querelle, de Rainer Werner Fassbinder

37 - A Lira do Delírio, de Walter Lima Jr.

38 - Viver a Vida, de Jean-Luc Godard

39 - Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor

40 - Cleo de 5 às 7, de Agnes Varda

41 - Samba em Brasília, de Watson Macedo

42 - Hotel das Américas, de Andre Techine

44 - Eu Matei Lúcio Flávio, de Antonio Calmon

45 - O Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci

46 - O Império do Desejo, de Carlos Reichenbach

47 - A Ilha dos Prazeres Proibidos, de Carlos Reichenbach

48 - Crônica do Amor Louco, de Marco Ferreri

49 - A Dama do Lotação, de Nevielle D´Almeida

50 - Socorro Nobre, de Walter Salles

51 - As Horas, de Stephen Daldry

52 - A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla

53 - A Mulher do Tenente Francês, de Karel Reisz

54 - Os Demônios, de Ken Russel

55 - Vereda Tropical, de Joaquim Pedro de Andrade

56 - Queridas Amigas, Istvan Szabo

57 - Brown Bunny, de Vincent Gallo


Minha vida também está aí.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

a hora do espanto


Desde criança que adoro filme de terror.

E desde criança que morro de medo de filme terror.

Como moro só com o Bebein, meu cachorro, tentei por duas vezes assistir Arrasta-me para o Inferno, de Sam Raimi, mas o medo era tanto, mesmo porque já era no avançado da hora, que nas duas vezes tirei o DVD nos minutos iniciais.

Até que ontem, um pouco mais cedo - eram 20h - tomei coragem e vi até o final.

E adorei!

Quando vou ao cinema, detesto falação e barulhos inconvenientes.

Mas tenho que confessar que quando é para filme de terror não sou dos espectadores mais silenciosos. Costumo ficar agitado, salto da cadeira e já até soltei uns berros.

Como Arrasta-me para o Inferno não foi diferente, a não ser pelo fato de estar em casa.

Quem sofreu foi o Bebein, que arregalava os olhos e toda hora corria para longe de mim, assustado com meus pulos.

Quis assistir mais cedo para não ficar impressionado na hora de dormir.

Ledo engano. Exatamente na hora da luz apagada o que me vinha à mente? Lógico que era o filme.

Deus teve pena de mim e fez dormir rapidamente.

Mas, acordado, a toda hora penso no filme e na heroína.

Que filmaço!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

da vida


Sugestionado pelo post anterior, fiquei pensando naqueles que seriam os 10 filmes da minha vida.

Em lembrança rápida, descobri que são 16 - e vão elencados sem ordem de preferência, pois são todos preferidos.

1 - As Noites de Cabíria, de Federico Fellini

2 - Eros, O Deus do Amor, de Walter Hugo Khouri

3 - As Noites de Lua Cheia, de Eric Rhomer

4 - O Raio Verde, de Eric Rhomer

5 - Os Imorais (foto), de Geraldo Vietri

5 - Gritos e Sussurros, de Ingmar Bergman

6 - Um Dia Muito Especial, de Ettore Scola

7 - Chuvas de Verão, de Carlos Diegues

8 - Paisagem na Neblina, de Theo Angelopoulos

9 - O Céu Que Nos Protege, de Bernardo Bertolucci

10 - Terra em Transe, de Glauber Rocha

11 - Teorema, de Pier Paolo Pasolini

12 - Sonho de Valsa, de Ana Carolina

13 - Bonequinha de Luxo, de Blake Edwards

14 - Baixo Gávea, de Haroldo Marinho Barbosa

15 - Possessão (foto), de Andrzej Zulawski

16 - Romance da Empregada, de Bruno Barreto



Minha vida está aí.

Adendo
Só agora percebi que errei na numeração, tem dois números 5. Portanto, são 17 filmes e não 16.

eric



Minha vida de cinéfilo começou mesmo em 1980, quando tive meu primeiro trabalho formal como office-boy, aos 16 anos.

Principalmente depois que conheci meu amigo Roberto, e anos depois, o saudoso Hênio, ao fazer Letras.

E desde o começo se há cinema que me embasbacou foi o de Eric Rhomer.

Aquela aparente, e verdadeira, simplicidade de seus filmes me encantava e me desconcertava.

Desde que assisti As Noites de Lua Cheia (1984) e O Raio Verde (1986), que esses filmes se tornaram para sempre dos meus preferidos da vida.

Em entrevista ao Espelho, de Lázaro Ramos, Gilberto Gil disse ao apresentador, que lhe questionara como avaliava o fato de ter feito tanta coisa, criado tanto, que é porque alguém tem que ir e fazer. E ele foi lá e fez.

Adorei sua resposta, aparentemente e verdadeiramente simples, como os filmes de Rhomer.

Eric Rhomer morreu hoje, aos 89 anos.

E ele é um desses, um homem e artista que foi lá e fez.

E, daí, muda a vida da gente.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

perturbadores


A Troca, de Clint Eastwood, é para mim um dos 10 melhores filmes do ano.

Li em algum blog dizerem que o Clint fez um filme de terror disfarçado de drama, e não tenho como não concordar, pois foi difícil dormir depois de tê-lo visto sem ficar pensando nele.

E pior, sobressaltado.

Já do Gran Torino, tão incensado, gostei, mas não vai para a minha lista não.

Mas dou esse breve vôo rasante é para dizer que no sábado o Telecine Cult vai passar o melhor filme com o Clint Eastwood que já assisti, só que não é dirigido por ele, e sim pelo grande Don Siegel.

Estou falando de O Estranho Que Nós Amamos (foto), de 1971, e que me pertubou também um tantão da vez que assisti, há anos e anos.

Aliás, não é só o melhor com o Clint, mas um dos GRANDES filmes de qualquer época.

sábado, 19 de dezembro de 2009

as amiguinhas...


O cinema brasileiro dos anos 70 é realmente fantástico e inacreditável.

Ontem assisti um daqueles filmes que só o cinema nacional sabia fazer.

O nome?
- As Amiguinhas, de Carlos Alberto Almeida (1979).

O centro da trama é a relação lésbica, mas não há sequer uma cena de beijo - no máximo, a garotinha mais jovem aparece deitada, duas vezes, esfregando os peitos e fazendo cara de tesão.

E falando em cara, a cara de safada de Diva Medrek para as outras amiguinhas - são mais três, além de outra que ela bolina no cinema - é hilariante.

E os diálogos são um show à parte.

Cena 1:

O carro está parado com duas amiguinhas em um terreno baldio. (É um passat? Talvez, entendo de carro igual entendo de futebol) Só vemos o carro e ouvimos os diálogos entremeados por sussuros:

- Júlia, ai, loucura deliciosa, eu morro de prazer, por favor eu não aguento mais, pare.
Mas por que parou?

- Você pediu.

- Mas não é para obedecer, continue, isso, assim, carícias loucas, vai, não pare, jamais Júlia, Júlia, Júlia...

***********

Cena 2:

As quatro amiguinhas estão tomando o café da manhã na barraca na praia.

Primeira amiguinha:
- Você quer muito ou pouco açúcar?

segunda amiguinha:
- Gosto de tudo bem doce.
Se dependesse de mim o mundo seria em picolé.
Já imaginaram todo mundo se chupando uns aos outros?

terceira amiguinha:
- Coitado dos diabéticos.

quarta amiguinha:
- Por que?

De volta para a terceira amiguinha:
- Não iam poder chupar.


*************


Pode? (rsrs)

Como diria o personagem de Pedro Cardoso, hilariante em Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, de Domingos Oliveira:
- Poooooode!!!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

deixa eles entrarem


Nesse ano que se finda fui poucas vezes ao cinema para ver filme estrangeiro.

Ontem fui para ver Abraços Partidos, de Pedro Almodovar.

Não é o melhor Almodovar, mas continuo gostando muito.

Achei o filme alongado, mas tem a assinatura inconfundível do cineasta e da qual gosto muito - como na hora em que é revelado uma paternidade e o personagem fala "ah é, que legal".

Ou seja, sem dramas, marca desse desconcertante cineasta que é capaz de falar sem pudor em seu cinema das mais variadas formas de sexo, de pedofilia, de estupro e de amor com o pé acelerado no melodrama - gênero que adoro.

Foram poucos filmes estrangeiros esse ano, mas dos vistos, alguns fundamentais e que adorei, como

o desconcertante Anticristo, de Lars Von Trier;
e o perturbador Deixa Ela Entrar (foto), de Tomas Alfredson.

(Vicky Cristina Barcelona foi do ano passado?)

Cada um deles valeu a pena e muito em deixar o meu mergulho profundo na filmografia do cinema nacional ao qual me propus.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

olhos de farol


Reconhecer o cinema popular, sobretudo o dos anos 70, não quer dizer fazer oposição ao Cinema Novo como vejo muito por aí.

Muitos dos melhores filmes do cinema brasileiro que já assisti são do Cinema Novo - Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, Terra em Transe, de Glauber Rocha, A Grande Cidade, de Carlos Diegues, O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, A Falecida, de Leon Hirszman, A Casa Assassinada, de Paulo Cesar Saraceni, e tantos outros.

Glauber Rocha é realmente um gênio do cinema político, como Nelson Pereira dos Santos é gênio do cinema social, e Paulo César Saraceni é gênio do cinema existencial.

E Walter Hugo Khouri é gênio do cinema existencial, como Cláudio Cunha e Jean Garret são gênios do cinema popular.

É claro que essas definições são reducionistas frente ao rico e causaloso cinema de cada um deles, mas aqui vai só mesmo para situá-los de alguma forma, ainda que superficialmente.

Mas quando clamo pelo cinema popular, é porque está mais que na hora da crítica, pesquisadores e grande público também conhecerem e darem o valor justo para grandes cineastas que ficam na sombra - e mesmo outros que não trafegam pelo cinema popular, mas são tão ignorados quanto.

Walter Hugo Khouri é o maior cineasta para mim, mas isso é predileção pessoal. No caso dele, vejo que se encaminha uma compreensão de sua obra, ainda que aqui e acolá leio desavisados dizendo que ele é diretor de pornochanchada.

Não vai aqui nada contra pornochanchada, pois quem me conhece e acompanha meus escritos sabe que sou profundo apreciador do gênero - só acho que, como a querida Andrea Ormond em seu obrigatório blog Estranho Encontro já escreveu, botam tudo, a produção da Boca do Lixo e muitos filmes cariocas dos anos 70, no balaio da pornochanchada, esvaziando os filmes e a própria pornochanchada.

Meu apelo é para que se dê o valor justo para o cinema genial de muitos que continuam marginalizados.

É preciso conhecer, reconhecer e falar do cinema de

Claudio Cunha
Jean Garret
Antonio Calmon
Carlos Hugo Christensen
David Neves
Haroldo Marinho Barbosa
Aurélio Teixeira
Reginaldo Faria

e tantos, tantos outros.

Por aqui, em solo brasileiro, todo dia deveria ser dia de índio,
"mas agora ele só tem o o dia 19 de abril".

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ainda sobre a cena gls no cinema


Já há algum tempo, comento sobre o lançamento de filmes brasileiros na Rádio Alvorada FM, de BH, a convite da minha querida amiga Christiane Antuña e dentro da Agenda Cultural que ela edita e apresenta.

Os comentários são rápidos, mesnos de um minuto, e são só mesmo para situar o ouvinte - não são críticas.

Semanas atrás comentei sobre Quanto Dura o Amor?, de Roberto Moreira, que ousa e sai do tatibitate comum ao destacar como um de seus protagoniastas uma transsexual (Maria Clara Spinelli - foto).

Ao comentar aqui no Insensatez sobre Do Começo ao Fim citei o problema que me desagradou em Quanto Dura o Amor?, mas não ficou muito claro.

Disse que me incomodou a fraqueza dos personagens, mas não contextualizei o que quis dizer.

Daí que reproduzo abaixo o meu breve comentário na Rádio, no qual faço essa contextualização, que é o que me pareceu um filme de tese:

Quanto Dura o Amor?, de Roberto Moreira, acompanha a busca afetiva de três personagens: uma atriz, uma advogada e um escritor. Todos eles perambulam pelas noites e pelo caos urbano de São Paulo. Dessa vez, o cineasta não conseguiu o vigor apresentado em seu primeiro longa, o impactante “Contra Todos”. O problema de Quanto Dura o Amor? é que o roteiro aposta em uma tese, a do prazo de validade das relações amorosas. E aí parece que todos os personagens foram construídos para referendar esse objetivo. O tema é oportuno e interessante, mesmo porque situa o amor em lugares nem sempre mostrados com naturalidade, como a cena GLS e a prostituição. Mas ainda assim falta uma pegada na direção para que o grupo de personagens ganhasse vida mais pulsante. Elenco o filme tem, e os destaques vão todos para as atrizes Maria Clara Spinelli e Dani Carlos - a cantora - em ótimas interpretações.

domingo, 6 de dezembro de 2009

como era cor de rosa o meu vale


Fui programador de cinema durante seis anos - e antes disso, assistente de programação em mais um tanto de anos.

Daí, sabia que programar filme com temática gay era garantia de público, pelo menos em BH onde ele comparecia em peso.

E isso porque realmente há poucos filmes com essa temática e os gays, como todo mundo, gostam de se ver nas telas e também que suas histórias sejam contadas - particularidade essencial do cinema, não é? a de nos refletir.

Ontem fui assistir Do Começo ao Fim, de Aluízio Abranches, e mais uma vez a urbe estava toda lá - além, claro, de chamar a atenção também dos heteros.

Como se sabe, o filme não fala apenas de uma relação homossexual, mas também incestuosa - e a polêmica explorada na internet fez dele um filme comentado e esperado.

O cinema de Aluízio Abranches, ainda que tenha uma "cara", pode resultar em filme de interesse como Um Copo de Cólera - que ousa em nu frontal masculino como só o cinema popular dos anos 70 sabia fazer, e vai além pois se dá direito à ereção;

( o cinema de hoje é capaz de fazer um filme todo em um quarto de motel, como Entre Lençois, e os atores, e a direção, ficarem escondendo paus e pererecas o tempo inteiro)

ou ao equivocado As Três Marias, filme que não saiu do roteiro e o que se vê na tela é uma trama atravancada e desperdício de talento.

E em Do Começo ao Fim, mais uma vez Abranches não chega lá.

Ainda que se assista ao filme com interesse, o problema crucial é o que está dito em todo canto: a ausência de conflito.

O diretor disse que quis contar uma história de amor e sem tornar pesado o tema.

Ok. Só que da forma que o roteiro foi construído, a ausência de conflito esvaziou por completo o sentido do filme.

E nem digo sobre o reles conflito entre os dois personagens, mas a compreensão em demasia de todos os personagens que cercam os dois belos moços. Principalmente o personagem de um dos pais, vivido por Fábio Assunção.

O cineasta disse também que é porque é uma família esclarecida.

Ora, por mais que a maioria de heteros ame seus amigos homos, pergunte para essa maioria se ela quer ter filhos gays? É claro que virão com a máxima de sempre: "não gostaria porque não quero que meu filho sofra". Hahaha, como se ser hetero, como eles, fosse garantia de não sofrimento. Para mim, sempre será apenas uma resposta, daquelas ensaidas com profundo sentimento... (ai, meus sais).

E no filme, ainda há o incesto, heim.

A direção acertou na personagem de Julia Lemmertz, que só com o olhar consegue passar todo o desconforto e o estar perdida frente à situação - ainda que pequena, é uma das melhores atuações da atriz no cinema, musa do cinema de Abranches.

Se em Quanto Dura o Amor?, de Roberto Moreira - onde há uma transsexual - o que incomoda é a fraqueza dos personagens - não das atrizes, que são ótimas - e que faz com que eles escapem da nossa memória, em Do Começo ao Fim incomoda mais ainda é o tom cor de rosa demais em que o filme mergulha seus personagens.

É uma pena, pois Do Começo ao Fim poderia realmente ser um bom filme.

O resultado ficou apenas um filminho bom de assistir, mas que incomoda pelo tom de artificialidade, principalmente depois que pensamos sobre ele.

domingo, 22 de novembro de 2009

o lugar de eduardo valente


Finalmente estreou No Meu Lugar, o filmaço do cineasta e crítico Eduardo Valente.

Tenho um afeto genuíno por Eduardo Valente, e fiquei muito feliz ao assistir ao seu primeiro longa, pois aí tive a certeza que ele está ao lado de gente que faz o melhor cinema brasileiro atual, além de alguns veteranos - em que figuram nomes essenciais como Beto Brant, Karin Aiñouz, Tata Amaral, Eliane Caffé e Cláudio Assis.

A primeira vez que assisti No Meu Lugar foi no início do ano na Mostra de Tiradentes, e escrevi o artigo abaixo para o meu site, o Mulheres do Cinema Brasileiro.

E continua valendo, pois é um dos melhores filmes brasileiros do ano e tem interpretações gigantescas, como a do iluminado Márcio Vito e uma Dedina Bernardelli sempre ótima.

Corram pra ver.


O Lugar de Valente

“No Meu Lugar foi o filme mais esperado da 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes”. Isso porque o cineasta Eduardo Valente tem uma carreira importante no curta-metragem e o filme é sua estréia em longas. Outro fator de destaque sobre Valente é por ter sido premiado no Festival de Cannes em 2002 pelo curta “Um Sol Alaranjado”, o que lhe garantiu a exibição de “No Meu Lugar” em uma das mostras do Festival francês. E "No Meu Lugar" não decepcionou. Mais que isso, é um filmaço!

A pré-estréia de “No Meu Lugar” foi mesmo a primeira exibição para o público e nem os atores tinham visto ainda o resultado final. A equipe participou da sessão, inclusive dois dos três protagonistas, os atores Dedina Bernardelli e Márcio Vito, além do ator mirim João Pedro Celli, o roteirista Felipe Bragança, o montador Quito Ribeiro e a diretora de arte Tainá Xavier.

Dedina Bernardelli contou no debate da Mostra que é muito controladora e por isso ficava aflita porque durante os testes e a preparação de elenco não tinha encontrado o diretor. E mais, sabia que tinha mais dois núcleos de histórias, mas não fazia idéia de que histórias seriam essas. Eduardo Valente defendeu a função de preparador de elenco, a cargo de Pedro Freire, e disse que não quis participar das escolhas na hora do teste porque não queria contato direto, estava à procura dos personagens e não dos atores. E daí, via o material gravado e fazia as escolhas a partir dele. E a opção por não revelar para os atores as diferentes histórias foi porque não queria que eles atuassem em resposta aos personagens dos outros núcleos, já que todos, mesmo sem saber como, estavam interligados.

“No Meu Lugar” focaliza três núcleos de personagens que não se encontram na tela, todos eles marcados por um fato trágico. O filme impressiona, antes de qualquer coisa, pelo domínio narrativo e a direção segura. O roteiro em parceria com Felipe Bragança, de “A Fuga da Mulher Gorila” (e mais Gustavo Bragança e Marco Dutra no desenvolvimento de alguns personagens) e a montagem de Quito Ribeiro também dão sustentação a esse vigoroso filme que confirma o talento do cineasta.

Se a procura pelos atores deu trabalho, o resultado valeu a pena, a começar pelos protagonistas. Dedina Bernardelli, atriz de carreira cinematográfica desde a década de 80 e com momentos marcantes em filmes de Ivan Cardoso e Domingos Oliveira traz a carga dramática necessária para sua personagem. Em nenhum momento ela é melodramática, mas passa a intensidade interior da personagem em uma composição precisa e econômica. Raphael Sil consegue passar para o público as mudanças sofridas pelo seu personagem, entre o cotidiano duro como entregador de supermercado, o contexto da favela em que vive e a relação amorosa com doméstica da casa epicentro da trama – um belíssimo trabalho de Luciana Bezerra.

E por fim Márcio Vito como o tenente afastado pela polícia. Se a Mostra do ano passado teve no trabalho de Eucir de Souza em “Meu Mundo em Perigo”, de José Eduardo Belmonte, um dos pontos máximos, nessa 12ª edição foi a vez de Márcio Vito. Ator de teatro com pequenas participações em filmes de Lúcia Murat (“Quase Dois Irmãos”) e “A ostra e o Vento” (Walter Lima Jr), Márcio Vito encarna seu primeiro protagonista nas telas com fôlego e intensidade marcantes. É, com certeza, trabalho para muitos prêmios de Melhor Ator.

Ainda a destacar, mais outros belos trabalhos femininos: Nívea Magno como a filha do policial; Maria Salvadora como a mâe do Beto; e Leticia Tavares como Lili.

Quem acompanha os escritos de Eduardo Valente como crítico na revista Cinética pode até não gostar de seu olhar para o cinema – eu mesmo divirjo bastante, ainda que tenha interesse por sua escrita e muito mais pelo seu olhar mais evidenciado nos debates que nos textos. Já o cineasta é da mais alta linhagem.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

extremos do prazer


Todo mundo sabe da minha admiração pelo cineasta e pelo cinema de Carlos Reichenbach.

E sabem também que ele é padrinho do meu site, Mulheres do Cinema Brasileiro, e que tive a honra de ser premiado por ele em 2005 com o Prêmio Especial Quepe do Comodoro.

Pois bem, ainda que falte ver filmes essenciais de Carlão, como Lilian M - Relatório Confidencial e Amor, Palavra Prostituta, tenho um certo conhecimento da obra do diretor.

Já assisti, alguns mais de duas vezes:

- A Ilha dos Prazeres Proibidos
- O Império do Desejo
- As Safadas - segmento A Rainha do Fliperama
- Filme Demência
- Anjos do Arrabalde
- Alma Corsária
- Dois Córregos
- Garotas do ABC
- Bens Consficados
- Falsa Loura.

Mal sabia eu que ainda conheceria o belíssimo Extremos do Prazer (1983).

Que maravilha de filme.

E que direção! Anos-luz equidistante de muita caretice e bom-comportamento em muitos filmes de hoje.

Está lá, em Extremos do Prazer, tudo o que há de melhor do cinema de Carlos Reichenbach.

O olhar humanista em trama que abre espaço para política, filosofia, lirismo, erudição, desejo e sexualidade para falar da condição humana.

E de quebra, as musas deslumbrantes - Taya Fatoon (foto) - que mal conhecia, a não ser de nome; Rosa Maria Pestana, Vanessa Alves e Sandra Graffi.

Extremos do Prazer apresenta ainda o melhor trabalho de Luiz Carlos Braga no cinema.

Filmaço!


post-homenagem para Sérgio Andrade

terça-feira, 10 de novembro de 2009

besouro


Besouro (2009), de João Daniel Tikhomiroff.

Gostei muito!

Admirável exemplar de cinema de gênero.

História, mito, lenda, cultura negra, cultura baiana, Brasil.

Visual arrebatador e elenco ótimo. Todo ele - e com um Irandhir Santos em estado de graça.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

soninha


Fico meio de bronca com o fato da TV Brasil passar filmes com intervalos comerciais.

Mas entendo que grande parte do público popular de TV esteja acostumado com esse formato.

De qualquer forma, é uma benção ter, além do Canal Brasil, mais uma possibilidade de assistir filmes brasileiros em outra emissora.

E ontem fiquei em estado de graça, pois finalmente assisti Soninha Toda Pura (1971), dirigido por Aurélio Teixeira.

Era louco para assistir a esse filme e toda a espera valeu a pena.

É uma maravilha!

Adorei a história, a direção e o elenco.
E que elenco!:

- Adriana Prieto, Carlo Mossy, Elsa de Castro e Zélia Hoffman - há também uma pontinha de Aurélio no início do filme.

É impressionante como Adriana Prieto consegue passar toda a verdade de sua personagem. É mesmo uma deusa que faz toda falta ao cinema brasileiro.

E Elsa, linda linda, e também Zélia e Mossy estão ótimos.

Mais uma vez a crítica de Andrea Ormond no Estranho Encontro está sensacional, e concordo com ela sobre o tanto de Khouri que há no filme - aliás, essa foto foi tirada do blog dela.

Gosto muito do cinema de Aurélio Teixeira, de filmes como Mineirinho Vivo ou Morto (1967) e Juventude e Ternura (1968).

O cinema nacional é mesmo surpreendente. Pena que nem todo mundo conhece a nossa filmografia como deveria.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

alô alô terezinha


Não gosto de ler críticas antes de ver filme, pois prefiro assistir primeiro sem o mínimo de referências externas possíveis.

Depois, claro, gosto de ler o que já se falou sobre aquele filme.

No caso de Alô, Alô, Terezinha!, já sabia das polêmicas. Como os que dizem que o diretor Nelson Hoineff tinha privilegiado uma abordagem mundo-cão.

Assisti ao filme e fiquei decepcionado.

É lógico que o cineasta, que também é jornalista - é o criador do ótimo Programa Documento Especial, que está sendo reprisado pelo Canal Brasil - tem o recorte dele.

E o filme de Hoineff prefere fazer uma panorâmica sobre aqueles que participaram do universo dos programas do Chacrinha - sobretudo as chacretes e os calouros.

Compreendo que mesmo esse recorte seria interessante, mas não foi o que aconteceu no resultado.

O melhor é ver as chacretes que povoaram a infância de muita gente - eu, inclusive.

As minhas preferidas eram a India Potira - que está no filme - e a Ivone - que é só mencionada em uma foto.

Só que me desagrada a forma como ele mostra algumas dessas chacretes, completamente despida de afeto.

Ora, documentário feito por jornalista não tem que ser amoroso, dirão muitos.

Mas no caso das Chacretes, rainhas que povoaram e povoam o imaginário popular eu acho que merecia ser sim.

E o filme de Nelson Hoineff parece estar mais interessado se elas faziam programa ou não, e com que cantores famosos dormiram (o Notas Musicais também acha isso) - por exemplo, o depoimento de uma delas sobre o amor por um homossexual é exposição e invasão de privacidade completamente desnecessárias.

Resgatar alguns calouros é ótima idéia, mas também não gosto como eles são apresentados.

Fui espectador assíduo dos programas do Chacrinha, principalmente na fase Tupi, em que eram exibidos a Discoteca do Chacrinha e a Buzina do Chacrinha. Depois, quando foi para a Globo, juntou os dois programas no Cassino do Chacrinha.

Por isso, as chacretes da Tupi são as que estão mais no meu imaginário, como India Potira, Ivone, Angélica, Valderez, Verinha do Flamengo, Lucinha Apache, Fátima Boa Viagem.

Rita Cadillac era da fase Tupi ou Globo? Não me lembro.

Muitas delas tinham musiquinhas que o Velho Guerreiro gostava de cantar e que ficavam coladas na gente, como:

Angélica, meu mundo é você.

ou

Quem dançar com a Walderez uma vez fica freguês.

Abelardo Barbosa, o Chacrinha, fazia o melhor programa de auditório do país - em outro estilo, só Sìlvio Santos era, e continua sendo, o melhor animador ao lado dele.

ADENDO

Que absurdo! Citei Chacrinha e Sílvio Santos e já ia me esquecendo de ressaltar Bolinha, que adorava! Para mim, ninguém entendia e refletia a alma popular em seus programas de auditório como esses três.

Gênios.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

herbert


Contaminado - no bom sentido - pelas observações pertinentes do meu amigo Sergio Andrade, do Kino Crazy, sobre o tom edificante dos documentários sobre os ídolos da música brasileira, fui assistir Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz.

O filme sobre Herbert Vianna, vocalista da banda Paralamas do Sucesso, não foge muito disso não, sobretudo na primeira parte, a do pré-acidente.

Estava achando o filme chaaaato, e ficava pensando, cá com meus botões, se aquilo não poderia ser uma extra de DVD - como achei um pouco sobre Coração Vagabundo, filme sobre Caetano Veloso.

E se essa fase pré acidente era, de certa forma, um contraponto à fase pós acidente - ou seja, a juventude cheia de gás e quase irresponsável para uma maturidade marcada por dores e superações - foi nessa segunda metade que o filme me pegou.

Há um olhar interessante para o personagem nessa segunda fase - ainda que, como se dá nesses documentários que perseguem seu objeto full time, não tenha deixado de me causar um certo desconforto pela presença da câmera invasiva.

Não gosto, por exemplo, quando a câmera está no banheiro enquanto Herbert se barbeia e depois fica parada observando ele sair de lá até parar no quarto e olhar para ela.

Fiquei mesmo um tanto incomodado, e, ignorante, não sabia que Berliner já era parceiro antigo da banda, dirigindo videoclips há alguns anos.

Ao ver esse crédito na ficha técnica ao final, suspirei aliviado por saber que aquela câmera não era tão estrangeira de seu objeto.

E foi impossível não me lembrar de um show dos Paralamas que assisti na dédada de 80 em Ouro Preto.

Estava com meu melhor amigo, que morreu em 1994, e, lembro-me que dançamos muito, divertíamos muito, e ríamos muito.

Eu, sobretudo, por estar descobrindo/reafirmando minha sexualidade.

Como sou dessa geração rock dos anos 80 - nunca fui muito fã de rock, a não ser dessa geração brasileira - fui em shows de toda essa gente: Blitz, Paralamas, Titãs, Kid Abelha, Legião etc.

E assistindo ao filme, não pude deixar de me sentir incluído no mostrado, mesmo porque também assisti ao primeiro show do Paralamas depois do acidente de Herbert Vianna - fiz assessoria de imprensa para o show em BH.

E, dessa vez, sem o meu querido amigo, e um tanto mais triste também por causa disso.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

fregolente


O Canal Brasil é mesmo uma verdadeira enciclopédia digital.

E é maravilhoso para qualquer pesquisador e amante do cinema nacional poder, finalmente, ver tantos filmes e de tão variadas épocas e estilos, muito deles, até então, só lidos.

Assisti, finalmente, Bonitinha Mas Ordinária, a produção dirigida em 1963 por J. P. de Carvalho, o Billy Davis - Oto Lara Rezende ou... Bonitinha Mas Ordinária.

Adorei o filme.

E pude constatar que Nelson Rodrigues funcionou no cinema nas duas fases, a do p&b e a do em cores.

Pois se gosto de muitas das produções dos anos 70 e 80, gosto também dessas dos anos 60 - Boca de Ouro, A Falecida, O Beijo (sou louco para assistir Engraçadinha Depois dos 30).

E se essa produção de Bonitinha Mas Ordinária dos anos 60 é ótima, melhor ainda é assistir um ator em estado de graça.

Estou falando de Fregolente, inesquecível como Heitor Werneck, o pervertido patriarca e empresário.

Fregolente é um GRANDE ator do cinema brasileiro, e que precisa ser mais lembrado.

Genial!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

ódio


Que todo mundo que me conhece sabe que eu sou completamente tarado por cinema brasileiro é a mais pura verdade.

E por isso alguns amigos jornalistas, inclusive, gostam de zoar e me chamam, como escrevi para o meu perfil na Zingu!, de o Super Adilson do Cinema Brasileiro.

E é verdade também que muita gente sabe que a minha fase predileta é dos anos 70, como já disse aqui muitíssimas vezes.

Mal sabia eu que ainda veria muitos filmes ótimos dessa época e que ainda eram desconhecidos por mim - como A Mulher que Inventou o Amor (1979), de Jean Garret, por exemplo, e que já homenageei aqui.

Pois hoje assisti mais um filme extraordinário:

- Ódio (Foto- 1977), de Carlo Mossy.

Que beleza e que paulada!

E que atores!!!

E que direção!!!

Cinema brasileiro em altíssimo grau.

Deveria servir de lição para muitos que fazem, ou pensam que fazem, cinema nos dias de hoje.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

copacabana mon amour


Nem sei porque demorei tanto, mas só ontem assisti, finalmente, Copacabana Mon Amour (Foto - 1970), de Rogério Sganzerla.

Digo isso porque adoro o Cinema Marginal e essa fase da Belair, produtora que agregou Rogério, Julio Bressane e Helena Ignez - mais Maria Gladys, Guará Rodrigues, Paulo Villaça, e outros - é mesmo iluminada.

Um filme é uma beleza e mais uma vez Helena Ignez está radiante e prova, também mais uma vez, porque é a mais moderna atriz do cinema nacional.

Adorei ver também a deusa Lilian Lemmertz no filme. A dobradinha dela com Helena é maravilhosa - ainda que acho que já li em algum lugar que ela não gostou de ter participado do filme (será?).

Outra coisa que adoro nesses filmes de Helena com Rogério são os nomes de suas personagens:

- Janete Jane em O Bandido da Luz Vermelha;

- Angela Carne e Osso em A Mulher de Todos;

- Sonia Silk em Copacabana Mon Amour.

Sensacional!

Alguns anos atrás tive a honra de entrevistar Helena Ignez para o meu site Mulheres do Cinema Brasileiro.

Foi uma conversa ótima, em que ela fala da carreira e dessa sua assinatura autoral como atriz no cinema brasileiro.

Aqui:
http://www.mulheresdocinemabrasileiro.com/entrevistaHelenaIgnez.htm