sábado, 31 de outubro de 2009

serie deusas (86)


Dominique Sanda.




Nu!!!

adendo


Algumas pessoas me questionaram a frase em que digo que desprezo essa juventude bem nascida consumista, alienada e fútil.

E mesmo nos comentários, o Gabriel, meu editor da Zingu!, sentiu-se incluído.

É claro que foi uma generalização. No próprio post anterior aquele, disse que ia generalizar.

É é claro também, que mesmo com a minha origem, não discrimino os bem nascidos - grande parte dos meus amigos são.

E nem sei se os alunos da Uniban são bem nascidos ou não - claro, aqui no sentido de nascidos com posses.

E tenho amigos também de direita (não tão íntimos), ou, pelo menos, de centro (alguns bem íntimos).

Mas é que fiquei com muita raiva, pois como disse na resposta do comentário para o Gabriel e o Matheus Trunk também escreveu no blog dele, o Violão, Sardinha e Pão, mesmo que a moça fosse puta o absurdo seria o mesmo. E, vendo por esse viés, seria até pior, pois no entendimento dessa gente puta tem que ser aniquilada.

E o bem nascido nesse sentido, é porque, em tese, e ainda mais universitários, essa gente teria que ter uma formação básica de civilidade - coisa que muitos dos sem posses nem precisam sentar em um banco de universidade para ter.

Como passei recentemente por outra faculdade privada e ainda estudando de manhã, convivi, durante quatro anos, com alunos de classe média alta e alta que me assustaram e me desafiaram com alto grau de reacionarismo diário.

Como já disse por aqui, com depoimentos absurdos contra índios, idosos, bichas, sapataões, putas, Sem Terra, favelados, e outros tantos.

E, confesso, isso instaurou em mim uma forte impressão negativa dessa juventude que, também em tese, comandará o país.

Mas são generalizações.
É claro, espero, que nem tudo esteja perdido.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

eu estive lá, eu sou de lá, eu sou lá


Essa história de direita e esquerda sempre dá pano para manga.

Daí eu explico porque, aos quase 46 anos, sou de esquerda:

- meu pai e minha mãe foram operários de fábrica de tecidos a vida inteira e se aposentaram depois de 30 anos com salário mínimo.

- mesmo depois de aposentado meu pai voltou a trabalhar limpando banheiro da mesma fábrica.

- meu pai não sabia ler e nem escrever, e minha mãe, ainda que tenha feito só o primário, era ótima para nos ajudar nos deveres de casa.

- toda a minha família, de 11 pessoas - pai, mãe e irmãos - trabalhou nessa fábrica, com exceção dos meus dois irmãos mais novos.

- Mesmo eu, com sete anos, cheguei a fazer bico lá, pregando montanhas de tacos.

- trabalho desde essa época, quando vendia bolos, doces e salgados de porta em porta.

- até os meus sete anos, nossa família dividia um mesmo banheiro com cinco famílias - e o banheiro só tinha um buraco no chão e um cano pregado acima para pendurarmos o balde para tomar banho.

- Depois, dos dos sete e até os 19 anos, tivemos um banheiro desses com buraco só para a nossa família.

- um dos meus maiores medos de infância era na hora de fazer cocô ser mordido por um rato ou mesmo enfiar a perna naquele buraco fétido - como aconteceu algumas vezes.

- tomar banho na época de chuva era uma tragédia, pois tínhamos que ir equilibrando o balde de de água quente até a casinha lá no fundo, tomar banho, e depois esperar o corpo esfriar para poder voltar para dentro de casa - e muitas vezes sem luz.

- como a comida era feita de fogão à lenha, porém sem o fato atual dos que acham isso chique, tínhamos que ir para os morros buscar lenha, e também água, quando faltava.

- quando comecei a trabalhar com carteira assinada, como contínuo, e, com isso, passei a frequentar diariamente um banheiro como conheço hoje, achava o banheiro tão bonito que não me importava de comer minha marmita dentro de um - já que ficava um pouco envergonhado de comê- la junto com os outros.

- muitas vezes a comida da minha casa era arroz, feijão e uma porção de feijão com cebolinha em cima do arroz e um bolinho de ovo - dois ovos e mais fubá faziam esse bolinho para a família toda.

- existe uma foto de minha mãe na capa de um jornal de Belo Horizonte, grávida, com uma manchete que diz "mulher chora por não ter comida para dar aos seus filhos" - deve ser mais ou menos isso, já que ainda não tive coragem de procurar nos jornais, pois o único exemplar que tínhamos se perdeu.

- durante seis meses houve um greve na fábrica e centenas de famílias, inclusive a minha, passaram forme - uma de minhas irmãs conta que ficava na fila do leite e quando pegava sua vasilha não aguentava chegar em casa, sentava-se no chão, bebia tudo, e voltava para entrar na fila.

- sofríamos com dor de dente e um dos únicos remédios disponíveis era por um algodão com alho quente no ouvido para "chupar a dor". E só íamos ao dentista para ele colocar um algodão nas panelas dos dentes ou para arrancá-los - graças a Deus, meus dentes, nem todos, sobreviveram e bem, nem sei como.

- nenhum dos meus 8 irmãos chegou a universidade além de mim. É possível que uma irmã ainda faça faculdade.

- por ser gay, e, provavelmente, por ser delicado na infância, apanhava sempre dos meninos, e ficava com olho roxo ou com o trazeiro doendo por levar pontapés.

- andei de trem de subúrbio até os 19 anos, pois não tinha ônibus amiúde, e mesmo quando tinha, não tínhamos dinheiro para a passagem.

- por isso, para fazer a 5ª e a 6ª séries, e estava com onze anos, andava quatro quilômetros diariamente e à noite para estudar, fizesse chuva ou não.

- a partir da 7ª, substitui as longas caminhadas pelo trem de subúrbio, para o qual precisava acordar de madrugada e, de tão cheio, nem precisávamos segurar, apoiávamos uns nos outros.

- por ter a pele escura, ainda que não seja preta, já tive que ouvir que era negro iletrado.

Bom, e muitas muitas outras coisas mais....

Por isso sou de esquerda.
Por isso sou a favor do Bolsa-Família.
Por isso sou a favor da cota de negros.
Por isso sou favorável a todos os movimentos prós melhorias sociais.
Por isso apóio os movimentos das minorias.
Por isso sou a favor da união civil entre os gays.
Por isso sou contra a pena de morte.

Por isso sou popular e amo o popular.

E por isso eu desprezo essa juventude bem nascida consumista, alienada e fútil.
E que não consegue olhar um milímetro para fora do seu umbigo.

a face do terror


Como sou do tempo em que os dinossauros ainda caminhavam pelas avenidas Afonso Pena, em Belo Horizonte, Atlântica, no Rio de Janeiro, e Paulista, em São Paulo, ser universitário, naquela época, era por si só sinal de civilidade.

E se quando cheguei de fato à primeira faculdade que fiz, mesmo que tenha comprovado que não era tanto assim, pelo menos o ambiente era bem diferente do de hoje.

Mas os tempos são mesmo outros.

Vide esse episódio da moça de minissaia na Uniban.

Há pouco tempo voltei à sala de aula em uma universidade e pude comprovar o tanto que essa juventude atual - e vou generalizar - está mesmo medíocre.

Pelo menos em sua maioria.

O que pude comprovar mais, e me assustar também, foi com a face reacionária e direitista no pior sentido de tantos jovens bem nascidos na casa dos 20 anos.

Para eles, ser de esquerda é uma ofensa e ser de direita é um orgulho.

E com isso não quero fazer a defesa de minha faixa, ou seja, dos que ultrapassaram os 40 anos e dos que ainda se dizem de esquerda, porque mesmo por aqui a coisa anda feia.

É mesmo a derrocada do coletivo e do salve-se quem puder.

Assustador.

dona ivone lara


Assisti nessa semana, finalmente, um show com Dona Ivone Lara.

Foi em um projeto de compositores mineiros chamado Samba do Compositor, que reuniu Miguel dos Anjos, Dudu Nicácio e Mestre Jonas e a Grande Dama do Samba no Palácio das Artes.

Foi interessante ver os rapazes cantando sambas próprios e desconhecidos por mim, mas é claro que a grande sensação da noite foi mesmo Dona Ivone Lara.

E o público, que lotou o Grande Teatro, foi caloroso, amoroso e reverente, aplaudindo de pé, e várias vezes, a compositora de sucessos inesquecíveis como Sonho Meu e Alguém me Avisou - que Maria Bethânia lançou e contribuiu para trazer a compositora e cantora para a grande mídia e para o sucesso nas massas.

Dona Ivone Lara é um graça e adorei a cada vez que ela dizia:

- Estou muito feliz em estar aqui no meio de vocês!

E ela disse isso várias vezes, para deleite nosso, da platéia.

Done Ivone Lara está velhinha velhinha e para entrar no palco precisou ser amparada e em passos miudinhos - e mesmo na hora de cantar, sentada, nem sempre conseguia entoar todos os versos.

Ainda assim foi uma noite esplendorosa e fiquei emocionado frente a sua verdadeira realeza.

nu!!!


Campbell Scott.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

o microfone e as duas bichinhas


Maravilhoso.


Posso assistir quinhentas vezes, que quinhentas vezes vou rir muito.