quarta-feira, 19 de agosto de 2009

serie deusas (71)


Gena Rowlands.





Nu!!!

pixote


Começou ontem a retrospectiva de Hector Babenco no Canal Brasil.

Não preciso dizer que garanti meu lugar em frente à TV e assisti Pixote - A Lei do Mais Fraco, e depois o documentário Pixote In Memorian, de Felipe Briso e Gilberto Topczewski.

Maravilhosa essa retrospectica, pois só tinha visto Pixote quando lançado na época nos cinemas, e depois em um cópia VHS escura e sem muita qualidade.

A exibida ontem, por ser restaurada, está perfeita, e mais uma vez Pixote, A Lei do Mais Fraco se confirma como um dos filmes mais impactantes da década de 80 e de todo o cinema brasileiro.

O elenco todo está excepcional, e deu saudades ver Ariclê Perez bela e com o talento de sempre, como a professora da Febem que alfabetiza Pixote.

De Fernando Ramos da Silva então nem se fala, com sua cara trágica em misto de inocência e alta dose de tristeza.

E Marília Pêra está mesmo sensacional, fazendo tudo que pode com o talento arrebatador que possui.

A poderosa crítica americana Pauline Kael escreveu sobre esse trabalho de Marília, que foi premiado pelos críticos de Nova York:

"Marília Pêra tem uma presença que lembra a de Anna Magnani - horripilante e sensacional. A paixão que ela exibe elimina os garotos não-atores da tela. É a prostituta gerada pelas fantasias masculinas mais tenebrosas, e nas suas cenas o filme atinge um esplendor de brilhante crueza."

Só não concordo com a colocação de que ela elimina os garotos porque acho que eles estão bem e batem bola direitinho com Marília. Mas que a interpretação da atriz é antológica, isso é.

Já do documentário gostei bastante, ainda que a montagem seja um pouco maniqueísta. Mas me interessei por rever os garotos agora crescidos, e por muitas falas dos entrevistados.

Nunca achei que a tragédia de Fernando Ramos da Silva fosse culpa de Babenco, como a mídia da época ressaltou tanto. Mas a montagem, e, sobretudo, as falas finais, pesam a mão ao querer colocar em evidência essa não-culpa de Babenco nessa trajetória com desfecho trágico de seu ator protagonista.

E também acho que a culpa não é do Fernando, como essa montagem final deixa nas entrelinhas, algo que me incomodou e achei simplório -como na fala de Marília Pêra que diz que a vida de ator é difícil.

Ok, mas aqui o buraco é bem mais embaixo.

Estamos falando de um menino que não era ator e de tudo que essa exposição, fatalmente, repercutiu em sua vida particular.

serie grandes cineastas (7)


Nelson Pereira dos Santos.





Patrimônio nacional.

na sala escura com dois mestres e uma deusa



Ontem foi dia de prestigiar o cinema estrangeiro e fazer algo que não fazia há muito tempo, que é emendar um filme no outro em cinema.

Mas a dobradinha era realmente sedutora:

- Sombras, de John Cassavetes;
- Ascensor para o Cadafalso, de Louis Malle.

Nunca tinha visto esse primeiro filme de Cassavetes, mas nem preciso dizer que adorei. É um banho de cinema, com atores e personagens não menos sedutores.

Já Ascensor eu conhecia, mas foi ótimo rever, pois já tinha me esquecido de várias cenas. Menos, claro, do deslumbre que é Jeanne Moreau - que aliás, anda tanto como em A Noite, de Antonioni.

E vamos combinar que ninguém caminha como Jeanne Moreau, e ninguém tem aquela dicção e forma incríveis de dizer um texto.

Uma deusa.
Das maiores que o cinema já revelou para o mundo.

serie grandes damas da tv (17)


Renée de Vielmond.





Salve Salve!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

zingu! de agosto no ar















A Zingu! de agosto está no ar, e, mais uma vez, está um arraso.

O dossiê do mês é do incrível João Silvério Trevisan, escritor, cineasta e um dos mais importantes pensadores da cena brasileira.

O editor Gabriel Carneiro fez longa entrevista com o mestre, que fala de sua vida, seus filmes (diretor e roteirista), o Cinema Marginal, a Boca do Lixo, seus livros, o teatro e muito mais.

Tem também ótimas resenhas e críticas de sua obra, como a de Sérgio Andrade que visita o deslumbrante A Mulher que Inventou o Amor, com roteiro de Trevisan e direção de Jean Garret.
Realmente uma preciosidade.

E em dobradinha genial, a Zingu! também lança um olhar amplo sobre o cinema de Nelson Rodrigues, com texto introdutório da adorável Andrea Ormond e resenhas dos craques da revista Filipe Chamy, Gabriel Carneiro, Vlademir Lazo Correa, João Pires Neto, Madson Hudson Moraes, e um convidado muito especial: Nísio Teixeira, da Filmes Polvo.

O acontecimento em São Paulo, Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais - filme amado pelo amigo e também craque da revista Sérgio Andrade - é também contemplado nessa edição em três olhares - Andrade, Chamy e Julio Simões.

E o tem olhar particularíssimo de Marcelo Carrard, coluna do Biáfora, lançamentos em DVD, musas como Naomi Wats - em texto delicioso de Ailton Monteiro, e Julia Feldens no olhar poético do Diniz.

Na minha coluna, Inventário Grandes Musas da Boca, chegou a hora e vez da veterana Silvana Lopes, presença maravilhosa em filmes de mestres como Clery Cunha e Jean Garret.

Aliás, tem belíssimo depoimento de Clery Cunha para a atriz, presença marcante em seus filmes Pensionato de Mulheres e Eu Faço... Elas Sentem.

Ótima leitura

domingo, 16 de agosto de 2009

serie grandes cineastas (6)


Antonio Calmon.



Patrimônio nacional.