quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

o universo dos curtas e índios versus colonizador na mostra de tiradentes


É impossível falar em curtas no Brasil sem falar no nome de Zita Carvalhosa.

Uma dos sócios da Superfilmes, ninho do Cinema da Vila Madalena da São Paulo dos anos 1980, Zita esteve envolvida na produção de filmes importantes do período, como A Marvada Carne(1985), de André klotzel, e Anjos da Noite (1986), de Wilson Barros.

Depois disso, Zita esteve à frente da criação do Festival Internacional de Curtas de São Paulo, que desde o início dos anos 1990 até hoje se consolidou como o maior espaço para o formato na América Latina.

Zita Carvalhosa esteve qui na Mostra de Tiradentes para lançar o Guia Kinoforum Festivais de Cinema e Vídeo 2011, precioso mapeamento de festivais e mostras nacionais e internacionais.

Claro, fiz entrevista com ela para o site Mulheres do Cinema Brasileiro, que rendeu longa e ótima conversa, que será, em breve, publicada por lá.

Ainda ontem, colhi depoimentos do ator Paulo Tiefenthaler, do preparador de elenco Sérgio Penna, e dos cineastas Alain Fresnot e Geraldo Moraes.


*********************************
Foto:
Zita Carvalhosa lança Guia Kinoforum 2011
Crédito: Paulo Filho

***********************************

Mostra Aurora

No segundo dia do Aurora, foi a vez da exibição do doc Remissões do Rio Negro, de Erlan Souza e Fernanda Bizarria.

O documentário é sobre as missões salesianas do Alto do Rio Negro, no Amazonas, e coloca em cena um padre e índios que foram seus alunos quando crianças, agora décadas depois e em um "acerto de contas" entre colonizador e colonizados.

Remissões do Rio Negro está calcado em tema sempre importante e impactante, e ainda que nem sempre consiga estar à altura de seu objeto, tem momentos que seduzem e matêm nosso interesse no mostrado.

Em breve, comentários sobre o filme aqui no Insensatez.


*******************************

Na programação de hoje, seminário com convidados de festivais internacionais, mais um filme da Mostra Aurora - o doc Sertão Progresso, de Cristian Cancino.

E tem, na mostra de curtas, a exibição de Contagem, Prêmio de Melhor Direção para os contagenses (Contagem-MG) Gabriel Martins e Maurílio Martins no último Festival de Brasília.

Mais informações:
http://www.mostratiradentes.com.br/

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Começou a mostra aurora em Tiradentes



Dia de colher muito material para o site Mulheres do Cinema Brasileiro.

Depois da entrevista com a atriz Ana Maria do Nascimento e Silva e do depoimento do cineasta e produtor Zelito Viana, foi a vez de montar guarda aqui nos corredores do Centro Cultural Yves Alves, onde fica o Cine-Teatro e a Sala de Imprensa.

Daí, entrevistas bacanas com a atriz Arieta Correa, com as cineastas Marina Meliande e Mariana Caltabiano.

E também depoimentos com o ator-homenajeado Irandhir Santos, com o cineasta Eric Laurence, e com o crítico Rodrigo Fonseca.

Todo esse material será pubicado lá no Mulheres.


***************************************

Enchente

À noite, foi apresentado o primeiro filme da Mostra Aurora, recorte dentro da Mostra de Tiradentes, em que são exibidos títulos que serão premiados pelo Júri da Crítica e Pelo Júri Jovem - esse último, formado por alunos de uma oficina de crítica ministrada pelo curador Cléber Eduardo.

Foi exibido no Cine-Tenda o doc Enchente, de Julio Pecly e Paulo Silva.

Produzido pela Cavídeo, de Cavi Borges, o filme retrata a enchente de 1996 que assolou o Rio de Janeiro, em que 80 pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas na comunidade da Cidade de Deus.

O foco de Enchente é essa tragédia de 96, mas ainda assim há lá o registro de outras históricas que assolaram a capital carioca, prova inconteste de que o surgimento delas sempre foi cumprimento de ritual de morte anunciada.

Como não poderia deixar de ser, está lá também, registrado em texto, a recente que assolou a região Serrana. Mas as imagens são mesma as da década de 90.

Enchente poderia ser mais um filme vocacionado para a TV, se não fosse o grande diferencial - um achado - de usar imagens de registro de um próprio morador da Cidade de Deus, que na época tinha acabado de comprar a filmadora há poucos meses e estreou o equipamento filmando aquele momento trágico.

Isso faz diálogo direto com os próprios diretores, já que eles também foram vítimas do mesmo acontecimento na época.

Ainda que utilize imagens de jornalismo, o filme cresce exatamente por causa desse registro in loco, de um morador que vê seus vizinhos e suas casas sendo destruídas, mas que mantém a câmera ligada em meio a dor.


Em breve, comentários sobre Enchente aqui no Insensatez

********************************

Foto: Equipe de Enchente
Crédito: Pedro Silveira

***********************************

Hoje, dentre tantas outras atrações, tem lançamento do Guia dos Festivais 2011, da Associação Cultural Kinoforum, e mais filme na Mostra Aurora, com a exibição do doc Remições do Rio Negro, de Erlan Souza e Fernada Bizarria.

Mais informações:
http://www.mostratiradentes.com.br/

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

maratona na mostra de tiradentes




Ontem foi dia da bunda ficar quadrada na 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, pois foi uma maratona de quatro filmes.


Brasil Animado


O primeiro foi às 11h da manhã na Mostrinha de Cinema, que encheu a sala do Cine Tenda de crianças, pais e tantos outros, com a exibição de Brasil Animado, de Mariana Caltabiano.

Primeira animação brasileira em 3D, o filme coloca dois personagens, Stress e Relax, viajando pelo Brasil, já que o primeiro quer encontrar o Grande Jequitibá Rosa, para faturar com a árvore.

Esse é o mote para que, na tela, város pontos turísticos de estados brasileiros sejam mostrados em imagens reais, já que o filme mistura cenas animadas com essas locações - Foz do Iguaçu, Ouro Preto, Elevador Lacerda, Praça do Três Poderes, Floresta Amazônica. Daí, fala-se das cidades, costumes, culinária e seus cartões postais.

Infelizmente, a exibição não foi em 3D - parece-me que os óculos não chegaram -, o que causou um pequeno burburinho de decepção nas crianças. Mas logo elas ficaram atentas ao mostrado e vibraram quando a terra natal, Tiradentes, apareceu na tela.

Brasil Animado está mais para filme educativo do que de uma animação que entretenha seu público. Talvez com a exibição em 3D esse aspecto seja mais diluído e o entretenimento ganhe mais força.

***************************************

Mas foi à noite que a maratona foi para valer no Cine Tenda, com três exibições seguidas: A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande; Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini; e VIPs, de Toniko Melo.


A Alegria


Segundo tomo da trilogia Coração de Fogo, Bagança e Meliande voltam à Mostra de Tiradentes depois da consagração de A Fuga da Mulher Gorila, Prêmio Aurora de 2009.

Dessa vez, o filme mostrado foi A Alegria, que é apresentado pelos realizadores como um conto de fadas sobre a juventude e a coragem.

Protagonizado pela adolescente Tainá Medina, A Alegria é filme desconcertante pelo misto de beleza e de um sentimento de dor que não sabemos de imediato onde se aloja.

E mais, A Alegria é filme de fruição um tanto difícil - anos-luz das tais guloseimas que Julio Bressane pontificou-, mas jamais deixa de seduzir e, na mesma medida, inquietar.

É objeto de debate imperdível hoje à tarde, com a presença de Bragança, Meliande e equipe, em mesa mediada pelo craque Rodrigo Fonseca, de O Globo.


Malu de Bicicleta


Já Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini, mostra Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas vivendo as delícias e dores de amores.

Premiado no último Festival de Paulínea - Melhor Ator, Atriz e Direção -, o filme é uma comédia romântica com um tom menos fru fru que às vezes rondam o gênero atualmente, mas ainda assim não corresponde às expectativas.

Quer dizer, desse escriba, pois além dos prêmios em Paulínea, o público de Tiradentes parece também ter curtido a história em que obsessão e ciúme faz o barco das promessas de amor desgovernar.


VIPs


O último filme da noite foi VIPs, de Toniko Melo, protagonizado por Wagner Moura.

Adaptado de livro de Mariana Caltabiano, a diretora de Brasil Animado, o filme tem produção da O2 e roteiro de Bráulio Mantovani, A.C e Thiago Dottori .

Em cena, um homem que engana a todos com seu talento para se passar por outras pessoas, fruto de se complexo de identidade, marcado pela ausência do pai.

VIPs é filme bacanérrimo e cheio de gás, com alta possibilidade de diálogo com o público, mas sem deixar se seduzir pelo rame rame que muitos se utilizam na busca desse fim.

O elenco é sensacional, com Gisele Fróes e Arieta Correa ótimas em suas personagens, e Wagner Moura mostrando mais uma vez porque é um dos maiores atores de sua geração.


************************************


Todos os filmes terão comentários publicados em breve no Insensatez.


*********************************
Fotos:
- Cine-Tenda - fila para assistir sessão de A Alegria
- Equipe de Alegria recebe placa

Crédito: Leonardo Lara

**********************************

Hoje o dia promete, com, dentre tantas atrações, os debates de A Alegria e VIPs, mais a primeira exibição da Mostra Aurora - mostra que seleciona primeiros e segundos longas de cineastas -, com o documentário Enchente, de Julio Pecly e Paulo Silva.


Mais informações:

domingo, 23 de janeiro de 2011

A arte de elza soares na 14ª mostra de tiradentes


Lembram-se do bordão de Luiza Erundina, quando Prefeita de São Paulo "Sou mulher, nordestina e governadora de uma das maiores cidades do mundo".

Pois então, muita gente também vê quase um bordão em Elza Soares, quando ela fala sobre sua vida "sou negra, favelada etc".

Como ela já contou em muitas entrevistas sua trágica, atribulada e vitoriosa trajetória, às vezes o relato pode nos soar repetitivo - ainda que, particularmente, ache que tenha mesmo que contar sempre a admirável história de sua vida, pois há sempre quem não saiba.

É essa cilada que o documentário Elza, de Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan, evita ao focar seu relato, sobretudo, na música de Elza.

E aí, realmente a mulata assanhada enche a tela.

No caso da exibição de ontem, em belíssima exibição no Cine Praça com platéia lotada.

Tá lá o começo de tudo, o famoso episódio do programa de Ary Barroso e a esfrega do Planeta Fome.

Mas logo logo, o que se vê é a trajetória musical dessa deusa negra que encheu de suingue e técnica particularíssima o cenário brasileiro.

E aí toma encontros na tela com Paulinho da Viola, Caetano Veloso, João Aquino, Jorge Ben Jor, e o melhor de todos: Elza e Maria Bethânia.

Em longa e divertida sequência, a carioca e a baiana cantam e brincam ao som de músicas que saem das gargantas poderosas: Samba da Benção e Samba da Minha Terra.

É um encontro maravilhoso! E histórico.

Tem ainda depoimentos de José Miguel Visnik, Martinália, Elton Medeiros e outros.

O filme Elza foca a cantora Elza plena em sua música.

E está aí o seu grande acerto.


Foto Cine Praça: Alexandre C. Mota.


*******************************************

Hoje tem muitas atrações, com exibições dos esperados A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande, Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini, e VIPs, de Toniko Melo.

Mais informações:

sábado, 22 de janeiro de 2011

emoção, política, moda e cinema de alta cepa na abertura da mostra de tiradentes








A abertura ontem da 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes teve de tudo um pouco.

Teve o cerimonial de praxe, teve apresentadora inesperada, teve fala de homenageados, teve presença da Ministra da Cultura Ana de Hollanda, teve desfile de moda, teve exibição de filme.

Mas os pontos mais altos foram, na ordem, a apresentação descontraída e cheia de verve de uma exuberante Dira Paes; a fala emocionadíssima do pai do ator Irandhir Santos - um dos homenageados da Mostra; e a exibição de O Gerente, último rebendo de Paulo Cézar Saraceni - o outro homenageado.

Dira Paes circulou pela passarela montada para o desfile de Ronaldo Fraga com beleza, tesão e bom humor. E divertiu a platéia quando tinha dúvida com a pronuncia de alguma palavra - como Fiemg, por exemplo "É FI E MG?" perguntou, para resposta divertida e amorosa da plátéia "é Fiemg"; ou quando pedia para participar de fotos históricas, como a que reuniu os homenageados.

O pai de Irandhir Santos, Marcos Santos, que é músico, contou histórias de família, da terra, e da infância do filho, e disse que tinha certeza de que se ele não fosse o que é hoje, seria com certeza músico - "ele toca teclado direitinho". E quando Irandhir se emocionou falando dos pais - a mãe, Helena Maria, também estava presente - o patriarca se emocionou ainda mais, chorando ao ombro da esposa.

E por fim, teve a exibição de O Gerente, um Paulo Cézar Saraceni surpreendente em aposta total na poesia, com investigação de linguagem que resultou em belos planos-sequências - mas sem o filtro pop que ronda uma quase nova mania na recuperação do recurso.

Hà inúmeras cenas banhadas em beleza, mas uma de encanto maior coloca Ney Latorraca - o protagonista - em dança com inventiva exploração de recurso espacial com Letícia Spiller.

O Gerente tem ainda como protagonistas Ana Maria Nascimento e Silva - esposa há três décadas e meia de Saraceni - e Joana Fomm. Essa última, ausência mais que sentida por esse escriba, que veio a Tiradentes em gozo maior por achar que estaria frente a frente com uma das mais talentosas atrizes que esse país já pariu.

Em breve, comentários sobre O Gerente aqui no Insensatez

Fotos:
- Dira Paes e Irandhir Santos
- Desfile Ronaldo Fraga
- Paulo Cézar Saraceni beija Julio Bressane
- Irandhir abraça o pai, tendo ao fundo a mãe
Crédito: Leonardo Lara

-------------------------------------------------------------------------------------

Hoje, a 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes iniciou o ciclo de seminários, abrindo espaço para os dois homenageados - e convidados - conversarem com o público.

A mesa de Irandhir reuniu os cineastas Claudio Assis, Eric Laurence, Kleber Mendonça Filho e Leonardo Lacca. Já o de Paulo Cézar Saraceni reuniu os cineastas Julio Bressane, Zelito Vianna - produtor de O Gerente -, Ricardo Miranda - montador do filme -, e Ana Maria Nascimento e Silva - uma dos protagonistas.

Lá pelas tantas, Bressane incorporou a persona característica ao dizer que esperava mais das discussões da platéia, tendo em vista a excelência do filme do homenageado.

Para alguns fica uma postura um tanto pedante, mas é impossível não ficar totalmente seduzido por algumas de suas falas: "Não há mais tempo para o culto sensível, tudo se transformou em guloseimas"; "O cinema do Paulo Cézar sempre foi uma linha de força. Ele me dá uma possibilidade de transcendência".

------------------------------------------------------------
Hoje à noite haverá tempo ainda para conferir dois docs em pré-estreia: Avenida Brasil Formosa, de Gabriel Mascaro; e Cortina de Fumaça, de Rodrigo Mac Niven - pena que, por questão de horário similar, não será possível conferir o doc Elza, de Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan.

Mais informações no site:

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

zingu! 41 no ar


É com grande alegria que venho dizer que a Zingu! 41 - edição de janeiro - está no ar.

Sempre fui louco pela Zingu!, que lia avidamente. Daí, em 2008, Matheus Trunk, fundador da revista, passou a me convidar para participar como colaborador em algumas edições, o que atendi de pronto e cheio de gás.

Quando Gabriel Carneiro assumiu a edição, ele me convidou para me tornar redator fixo da Zingu!, colocando no meu colo de presente a Coluna Inventário Grandes Musas da Boca, e aí delirei bonito, claro!. Além da coluna, continuei escrevendo também para os outros conteúdos, dossiês e especiais.

E daí que não é que nesse número 41 eu assumo a função de Editor-Chefe!

Nu!!!

É uma alegria só. E, claro, responsabilidade ainda maior, pois na equipe da Zingu! só tem bambas e a confiança em mim me enche o peito de orgulho.

Bom, depois do desabafo feliz - rsrs - quero dizer que a Zingu! vem bem bacana.

Tem dossiê de José Miziara - o diretor dos amados O Bem Dotado - O Homem de Itu, Embalos Alucinantes - A Troca de Casais, e Pecado Horizontal -, com resenhas de quase toda a sua filmografia, entrevista e perfil.

Tem também as colunas tradicionais - Cinema Extremo, Subgêneros Obscuros, Reflexos em Película, Musas Eternas, Inventário Grandes Musas da Boca, Musas do Diniz; e a estreia de três novas colunas - Filme-Farol, Nossa Canção e O Que é Cinema Brasileiro?.

E ainda um artigo de fôlego e bem humorado sobre o argentino Nueve Reinas e sua refilmagem americana.

Enfim, tudo isso está esperando por vocês.
É só clicar aqui:

http://www.revistazingu.net/

As fotos aí acima são do José Miziara e do IBAC 2010 - que a Zingu! trouxe para casa, para orgulho de todos nós.

Boa leitura!!!

14ª mostra de cinema de tiradentes


Nesta sexta embarco para a 14ª Mostra de Cinema de Tiradentes, e fico lá até o dia 29 de janeiro - o cineasta Paulo Cézar Saraceni e o ator Irandhir Santos são os grandes homenageados dessa edição.

A programação está supimpa, e nem acredito que estarei perto de uma das atrizes que mais admiro:

- a GRANDE Joana Fomm.

Claro que vou querer entrevistá-la, né?

Também nem preciso dizer que farei a cobertura aqui no Insensatez.
Aliás, já tem matéria lá no meu site, Mulheres do Cinema Brasileiro.

Confiram:
http://www.mulheresdocinemabrasileiro.com/

Foto: O Gerente, de Paulo Cezar Saraceni - filme de abertura da Mostra de Tiradentes