segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

longas brasileiros em 2009 (22)


filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

022 - Os Famosos e os Duendes da Morte (209), de Esmir Filho ****

O cineasta Esmir Filho virou hit na internet com o curta Tapa na Pantera. Mas se nele havia comédia, em Os Famosos e os Duendes da Morte há solidão e angústia. Em sua estréia em longas, ele utiliza o universo virtual não como canal de divulgação, mas de expressão. No filme, acompanhamos a vida de um adolescente solitário em uma comunidade no sul do país, onde a taxa de suicídio é grande. Fã de Bob Dylan, ele acessa o mundo exterior pelo computador, até que chega uma figura misteriosa na cidade. E é a partir das relações que constrói no mundo virtual, real e na imaginação, que ele enfrenta seus fantasmas internos e descobre sua sexualidade. Com um título enigmático, Os Famosos e os Duendes da Morte é um belo mergulho no universo dos adolescentes ao falar de temas difíceis, mas sem abrir mão da poesia e da delicadeza.


Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

Obs.: Filme visto na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

balanço da 13ª mostra de cinema de tiradentes



Terminou no sábado, dia 30 de janeiro, a 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Segundo os organizadores da Universo Produção, a Mostra atraiu um público de cerca de 48 mil pessoas.

Dessa vez não pude cobrir toda a Mostra, pois fui apenas nos dois finais de semana, o de abertura e o de encerramento.

Por isso não acompanhei a Mostra Aurora, disputa competitiva que acontece dentro da Mostra e que premia filmes de cineastas que estão no primeiro ou segundo longa.

E também por isso não assisti a produção cearense dirigida a oito mãos Estrada Para Ythaca (foto), de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti, grande vencedora do Prêmio da Crítica e do Júri Jovem - esse formado por estudantes selecionados em uma oficina de crítica cinematográfica ministrada pelo curador Cléber Eduardo.

O Júri Jovem também concedeu uma menção honrosa para Mulher à Tarde, de Affonso Uchoa.

Segundo meus amigos jornalistas que acompanharam a Mostra toda, a Aurora continou com o mesmo perfil das edições passadas ao apostar em propostas mais radicais de linguagem.

Da programação da Mostra como um todo, o Prêmio do Júri Popular foi para Herbert de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz, filme já lançado comercialmente e que não é dos melhores feitos sobre nomes da música brasileira - no caso aqui, sobre Herbert Vianna, o vocalista da banda Paralamas do Sucesso.

Mais uma vez saiu consagrado pelo prêmio um filme exibido na praça e também sobre música - ano passado, o vencedor foi o filme sobre a banda Titãs - Titãs - A Vida Até Parece Uma Festa, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves.

Mas se olharmos mais atentamente, quem deveria ter levado o prêmio do Júri Popular é Elvis e Madona (foto), o divertido filme dirigido po Marcelo Laffite sobre a história de amor entre uma lésbica e uma travesti. Só que por ter sido exibido no último dia, o filme não pode concorrer na categoria, pois, parece-me, a apuração já estava encerrada.

Elvis e Madona foi mesmo um dos grandes destaques da Mostra de Tiradentes e foi aplaudido em cena aberta durante algumas vezes. Simone Spoladore como Elvis e Igor Cotrim como Madona estão arrebatadores e têm em cena uma química impressionante. Vale destacar também os deliciosos diálogos e a trilha sonora bacana e pulsante.

A Mostra de Tiradentes aposta em um cinema mais radical na linguagem, e por isso nem todos os filmes têm um diálogo mais direto com o público - como Elvis e Madona tem e também têm Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca; Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi; e os filmes da mostra Onda Musical, como Dzi Croquetes, de Raphael Alvarez e Tatiana Issa; Mamonas Pra Sempre, O Doc, de Claudio Kahns; e Herbert Bem de Perto, de Roberto Berliner e Pedro Bronz.

Em sua totalidade, a 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes apresentou bons filmes e algumas decepções e maus filmes.

Dos que assisti, os mehores foram:
- Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes;
- Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi;
- Os Famosos e os Duendes da Morte, de Esmir Filho;
- Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro;
- Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch;
- Elvis e Madona, de Marcelo Laffitte;
- A Falta que me Faz, de Marília Rocha.

Corpos Celestes, de Marcos Jorge e Fernando Severo foi a grande decepção e um mau filme - muitos passos atrás de Marcos Jorge, diretor de Estômago.

Mais uma vez não cobri os curtas - o vencedor do Prêmio Aquisição Canal Brasil foi O Filme mais Violento do Mundo, de Gilberto Scarpa; o Prêmio do Júri Popular foi para Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho; e Obra-Prima, de Andréa Midori e Thiago Faelli.

Fiquei em Tiradentes durante cinco dias - sendo que um dia com apresentação de apenas um filme de abertura, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Karim Ainouz e Marcelo Gomes.

Assisti 10 filmes, participei de dois debates, fiz quatro entrevistas e registrei nove depoimentos - em breve esse material será publicado no meu site, Mulheres do Cinema Brasileiro.

Obs.: cada um dos filmes são analisados um pouco mais e têm cotação aqui no Insensatez - faltam comentários de mais cinco filmes assistidos.

Veja outras matérias sobre a cobertura da 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes nos links abaixo:

13ª Mostra de Cinema de Tiradentes
Cobertura 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Parte 1
Cobertura 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Parte 2
Cobertura 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Parte 3
Cobertura 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes - Parte 4

Programação Completa e informações sobre os premiados::http://www.mostratiradentes.com.br/

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

longas brasileiros em 2010 (21)


filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

021 - Os Inquilinos (209), de Sérgio Bianchi ****

Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi, é um pouco diferente de seus últimos filmes. Quase sempre, ele apresenta uma galeria de personagens para falar de um tema específico. Agora, há novamente um tema, a violência na periferia de São Paulo, só que dessa vez quase tudo passa basicamente pelo olhar de um único personagem, Valter. E também diferente de outros filmes sobre o tema, a violência em Os Inquilinos é vista a partir da janela de uma casa de uma pequena família - um carregador que estuda no supletivo à noite, uma dona de casa e o casal de filhos. É através dessa janela que vemos os tais inquilinos, um trio de arruaceiros que inferniza a vida do locatário e tira o sossego da família. Só que, mais angustiante ainda, quase tudo que Valter sabe sobre eles é pelo olhar de sua mulher, já que quase não fica em casa. A angústia e o medo crescentes de Valter é compartilhada pela platéia do lado de cá, um mérito do roteiro e da direção que nos deixa tão inseguros como o seu protagonista. Como sempre, o tom provocador do cinema de Bianchi está presente, e ele não poupa ninguém, nem os que fazem medo e tampouco os que sentem medo. Incomoda um pouco a fotografia de Marcelo Corpanni em alguns momentos, como no tom azulado da rua. Muito da força do filme vem do ótimo elenco - Marat Descartes (que lembra Eucir de Souza) e Ana Cabatti como o casal, e Umberto Magnani como o vizinho locatário estão perfeitos.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

Obs.: Filme visto na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

longas brasileiros em 2010 (20)


filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

020 - Cabeça a Prêmio (2009), de Marco Ricca **

"Cabeça a Prêmio", de Marco Ricca, é um bem-vindo exemplar de cinema de gênero, que já rendeu tantos momentos luminosos no cinema brasileiro. Só que nesse caso, infelizmente, ele não cumpre todas as suas possibilidades. Na trama, de Marçal Aquino, um casal amoroso clandestino - ele um piloto, ela filha de um fazendeiro contrabandista - vive em meio a matadores de aluguel na fronteira entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Nesse filme de estreia do ator Marco Ricca como diretor, ele se vale de um elenco de peso, como a bela Alice Braga, o uruguaio Daniel Hendler, e os ótimos Cássio Gabus Mendes, Eduardo Moscovis e Otavio Muller. Mas quem rouba o filme mesmo é Via Negromonte, uma atriz geralmente pouco aproveitada, mas que tem uma possibilidade maravilhosa de mostrar seu talento nesse filme.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

Obs.: Filme visto na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

longas brasileiros em 2009 (19)


filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

019 - Insolação (2009), de Felipe Hirsch e Daniela Thomas ***1/2

Daniela Thomas parece gostar mesmo de dividir a direção de filmes. Depois dos trabalhos com Walter Salles agora chegou a vez de Felipe Hirsch, também diretor de teatro e que estreia como cineasta. O filme situa a trama em uma Brasília de espaços grandiosos e abandonados como geografia para o desfile de uma galeria de personagens perdidos em sua solidão. O cenário impressiona com o uso da arquitetura como um misto de instalação e elemento opressor e árido para o abandono dos seres que desfilam na tela. Muitos acham que é uma receita ultrapassada de clichês para fazer filme de arte, mas quem se deixar seduzir e entrar na aura de paixão febril e de desassossego que permeiam o filme poderá encontrar camadas interessantíssimas. E ainda tem um Paulo José em estado de graça e uma estonteante Simone Spoladore, uma das atrizes mais cinematográficas desse país.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

Obs.: Filme visto na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

longas brasileiros em 2010 (18)


filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

018 - Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009), de Karim Ainouz e Marcelo Gomes *****

"Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo" reúne dois dos melhores cineastas revelados na Retomada, o cearense Karim Ainouz e o pernambucano Marcelo Gomes. O curioso é que as filmagens foram feitas há 10 anos, mas só agora o filme foi finalizado. Ou seja, elas antecedem ao estouro dos dois, respectivamente, com Madame Satã e O Céu de Suely, e Cinema, Aspirinas e Urubus. A partir das filmagens do sertão, eles construíram uma história ficcional sobre um geólogo que, ao ser abandonado por seu grande amor, empreende uma viagem a trabalho pelo sertão para mapear a região para a construção de um canal. O ator Irandhir Santos é o geólogo Renato, mas ele nunca aparece em cena. Só ouvimos sua voz, e sua interpretação, muito mais que uma simples narração, é fator fundamental para que embarquemos nesse belo e triste filme - me fez lembrar Brown Bunny, de Bincent Gallo. A trilha sonora é uma atração à parte, que se vale de sucessos populares que Karim vem impregnando em seus filmes, em um perfeito casamento orgânico com sua estética e universo. Já na abertura o arrebatamento com Peninha cantando Sonhos, e que prossegue com músicas como Morango do Nordeste, com Laírton e Seus Teclados.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

Obs.: Filme visto na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

cobertura 13ª mostra de cinema de tiradentes


Cheguei do primeiro final de semana na 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

Como sempre foi ótimo e fiz uma agenda puxada:
- sete filmes
- dois debates
- duas entrevistas
- quatro depoimentos

Já tem quatro matérias lá no meu site Mulheres do Cinema Brasileiro, mas quero registrar aqui também a bela homenagem para Karim Ainouz.

Trecho da matéria:

Muita emoção na cerimônia de abertura da "13ª Mostra de Cinema de Tiradentes" quando na homenagem para Karim Ainouz, a sensacional Marina Machado cantou, de guitarra em punho, o hit de Diana, "Tudo que Eu Tenho" - letra abaixo, tema de abertura do filme "O Céu de Suely". Sapeca e carinhosa, Marina alterou um verso e cantou lindamente "Sem seu Karim eu não sei viver".

Atrás dela, na tela, imagens de "O Céu de Suely" - com Karim, Hermila Guedes e Lázaro Ramos na platéia, além do público e convidados que lotaram o Cine-Tenda.


Que bom seria ter
seu amor outra vez
Você me fez sonhar
Trouxe a fé que eu perdi
E nem eu mesma sei porque
Eu só quero amar você
Tudo que eu tenho meu bem é você
Sem seu carinho eu não sei viver
Tudo que eu tenho meu bem é você
Volte logo meu amor
Eu tento esquecer
Que você ja foi meu
Nunca mais eu vou achar um outro amor
E nem vou procurar
Não quero amar a mais ninguém
Como você não ha ninguém
Tudo que eu tenho meu bem é você
Sem seu carinho eu não sei viver
Tudo que eu tenho meu bem é você
Volte logo meu amor
Se você não voltar
vou sozinha ficar
Solidão vai morar comigo
Vou viver infeliz
Pois o que sempre eu quis
Foi viver contente sempre ao lado seu
Tudo que eu tenho meu bem é você
Sem seu carinho eu não sei viver
Tudo que eu tenho meu bem é você
Volte logo meu amor
Volte logo meu amor

Como bem ressaltou Karim, uma simples e emocionante homenagem.

Fotos: Alexandre C. Mota

Matérias de cobertura 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes aqui:
http://www.mulheresdocinemabrasileiro.com/

Obs.: ainda vou relacionar, comentar e fazer a cotação dos filmes vistos - aqui no Insensatez.