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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 013



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


013 – Prazeres Permitidos (1982), Antônio Meliande



Prática comum no cinema dos anos 1960 e 70, sobretudo no italiano e no brasileiro, o filme em episódios sempre rezou pela cartilha da desigualdade. Afinal, juntar diferentes cineastas em segmentos distintos que variavam entre a comédia – a maioria –, o drama ou os dois juntos, era batata de que o resultado final apontaria para um certo desequilíbrio, com uns se saindo melhor que os outros. Agora, e quando o roteirista e o diretor eram os mesmos nos diferentes episódios? Era garantia de uma divisão melhor? Não necessariamente. Como prova esse Prazeres Permitidos, que juntou dois veteranos da Boca: o roteirista Luiz Castilini e o cineasta Antônio Meliande. O filme é formado pelos episódios Água Abaixo... Fogo Acima, e O Sonho - o primeiro, um drama; já o segundo uma comédia. Se no segmento de abertura há uma certa sofisticação, sobretudo na ambiência que perpassa toda a história, o que encerra o longa aposta no diálogo mais fácil, em que a costura finaliza mal acabada e apelativa. Em Água Abaixo... Fogo Acima, Lia Furlin é Andréa, uma mulher casada de classe média, que ainda que escreva artigos sobre sexo para uma editora, tem rotina das mais manjadas: de dia busca o filho na escola e à noite fica esperando o marido (Roberto Miranda) chegar em casa para o jantar e depois o sexo mal feito debaixo do lençol. Numa das idas à escola, ela conhece uma outra mãe que, ao contrário dela, é totalmente liberal e pratica o sexo casual numa boa. Esse convívio fará com que Andréa mergulhe cada vez mais em fantasias sexuais que vão lhe causar prazer e culpa. Bem dirigido, o episódio conta com ótima presença de Lia Furlin, que ainda que não apresente grande atuação é figura imponente em cena – a atriz já protagonizara o filme anterior de Meliande, Lilian, a Suja. E Roberto Miranda é sempre garantia de talento com sua persona genuinamente cinematográfica. Já O Sonho é sobre um jovem produtor e diretor de filmes pornôs para motel que fica alucinado com a chegada da nova mulher de seu tio caipira que vem passar, com ele, uns dias na casa em que vive com sua mãe. Logo logo ele verá que de caipira ela não tem nada e que está muito mais interessada é em satisfazer todas as suas fantasias com o sobrinho, já que o marido conservador fica com ela só na base do papai e mamãe. Ana Maria Kreisler compõe de forma zombeteira a tal tia fogosa, o que traz certo humor para a trama. E há ainda a presença elegante em cena de Arlete Montenegro. Mas se José Miziara exagera na caricatura, é Monique Lafond que tem personagem completamente esvaziado como a namorada do sujeito. Ao final de tudo, a gente fica meio sem entender como os dois episódios foram escritos e dirigidos pelas mesmas pessoas. Um detalhe: o cartaz faz alarde sobre o conteúdo sexual, mas, na verdade, é filme dos mais comportados.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 012



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)




012 – Dores e Amores (2010), de Ricardo Pinto e Silva



Segundo cobertura da imprensa na época, esse Dores & Amores causou certo mal estar no debate do Festival de Paulínia em 2010. A imprensa teria detestado o filme e o embate entre diretor e jornalistas não foi nada pacífico. Ricardo Pinto e Silva teria se defendido dizendo que quis fazer um filme de diálogo fácil com o público e cuja história – baseada no livro Dores, Amores e Assemelhados, de Claudia Tajes, e na peça Intervalo, de Dagomir Marquezi – mirou foco na superficialidade das relações amorosas atuais. Bom, assistindo, finalmente, ao filme, é quase impossível não ser tomado por um desconforto. Pois o problema aqui é que para falar de superficialidade nas relações, o filme não precisaria, ele próprio, apostar na mesma tal superficialidade. E o uso constante de grafismos, imagens descoladas e ritmo moderninho não ajuda absolutamente em nada para que Dores & Amores decole um pouco e saia do rame rame daquelas fitinhas juvenis bobinhas bobinhas. Há ainda, dentro da história, a encenação de uma novela em que os personagens se miram, mas que na verdade atravanca ainda mais o mostrado e a gente fica se perguntando o tempo todo: mas pra quê isso? A trama fala de uma quase balzaquiana (Kiara Sasso) que sonha encontrar o grande amor e acaba apostando todas as suas fichas em um cara (Márcio Kieling) que conhece no casamento do irmão. Ele por sua vez, não dá conta quando uma relação pode virar amor e aí aborta as possibilidades para ficar zanzando no universo da pegação. Há ainda outros personagens circundantes que transitam pela mesma praia, em que vale mais a troca de parceiros que qualquer outra coisa – Kayky Brito, Carlos Casagrande, Jorge Corrula. A utilização de um elenco não muito manjado ajuda a segurar as pontas um pouco, mas o destaque mesmo fica por conta de Kiara Sasso, a protagonista Julia, que está muito bem em sua personagem; além da beleza estonteante da atriz portuguesa Cláudia Vieira, uma doceira obcecada por Jonas, o personagem de Márcio Kieling. O filme anterior de Ricardo Pinto e Silva, Querido Estranho, já era um tanto problemático em seu resultado. Mas fica a anos-luz quando comparado a esse Dores & Amores.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 011



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


011 – Perdida em Sodoma (1982), de Nilton Nascimento




Esse Perdida em Sodoma começa interessante com sequência na cidade bíblica, que tal como nas Escrituras arde em chamas pela ira de Deus devido ao alto grau de devassidão de seus habitantes. E é curioso ver lá em trajes de época, deusas como Silvia Gless, Zilda Mayo e Maristela Moreno. Só que já nesse começo, vemos também Nicole Puzzi, a protagonista Marlene, com sua expressão khouriana presenciando, aparentemente, uma cena de sexo explícito. O espanto torna-se maior ainda quando os letreiros irrompem na tela após o incêndio e a gente vê no elenco os nomes de Juca de Oliveira, José Lewgoy, Alcione Mazzeo e Roberto Bataglin. Vixe! Como essas deusas todas da Boca - e ainda tem Aldine Muller, Tãnia Gomide e Noelle Pinne - e esses astros de outras paragens foram parar em filme de sexo explícito? Bom, as interrogações não perduram por muito tempo, pois logo logo a gente vê que foi claramente o uso de expediente torpe que algumas produções usaram – seja por diretores, produtores ou exibidores - que foi a de enxertar cenas explícitas nos filmes. Com o sucesso de O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima, realizado em 1976, mas lançado no Brasil em 1981, via mandado de segurança, começou a produção desenfreada de explícitos, e alguns dos que já estavam prontos e não tinham cenas assim, passaram pelo tal enxerto E aí, basta uma conferida rápida tanto no dicionário de filmes, do Leão, como no dicionário de diretores da Boca, do Sternheim, para a gente confirmar que é isso mesmo. E que Nilton Nascimento, cineasta que realizou pioneiro longa de ficção em Santa Catarina, O Preço da Ilusão, em 1957, se enveredou nos anos 80 para os explícitos, e, segundo a publicação de Sternheim, enxertava cenas de um filme no outro. Em Perdida e Sodoma, Nicole Puzzi chega do interior para procurar em São Paulo a mãe que a abandonou ainda criança. O que sabe é que tem um pai que desconhece, mas que lhe manda uma mesada, e que sua mãe se chama Giovana e cantava músicas italianas nas boates da noite paulistana. A partir daí, perambula pelos inferninhos da cidade ao lado do ex-cafetão da mãe que lhe promete levar até ela, mas que tem interesse mesmo é assediar Marlene para a prostituição. Esse caminhar pela noite é o palco perfeito para cenas de nudez e sexo – incluindo os enxertos -, em canhestra analogia à cidade dizimada do início do filme e estampada no título. Não bastasse isso, o roteiro ainda amplia a geografia do pecado, ao levar Marlene para o Rio de Janeiro em pleno carnaval, deixando claro que as duas capitais são a personificação atual da amaldiçoada Sodoma bíblica. Em Perdida em Sodoma não é apenas a personagem mas o próprio filme que se perde, o que fica mais evidenciado ainda na aposta pífia em seu final redentor com a possibilidade do recomeçar no interior.

domingo, 15 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 010



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)




010 – O Beijo da Mulher Piranha (1986), de J.A. Nunes




Depois de fazer história na Boca do Lixo e virar sinônimo de muito do que a Rua do Triunfo realizou de melhor – Amadas e Violentadas (1976), Excitação (1977) e A Mulher que Inventou o Amor (1980), Jean Garrett, como outros tantos, também foi parar no sexo explícito. Só que quando uma vez grande, fica um passado difícil de se extinguir feito bola de sabão. E aí, mesmo se valendo de um pseudônimo - J.A. Nunes -, e o novo formato de produção privilegiar mesmo é o entra e sai – aliás, título de um dos seus filmes desta fase - pode-se ver lá o talento incontrolável emergir. Como neste surpreendente O Beijo da Mulher Piranha, do tempo em que o explícito ainda era feito em 35 mm, e, dependendo do realizador, poderia resultar em algo a mais que pura sequência de trepadas. Um ano antes, Hector Babenco dirigiu o sucesso internacional e oscarizado O Beijo da Mulher Aranha, baseado em romance do argentino Manuel Puig. Este Beijo aqui pega carona no título fazendo deliciosa e sacana versão, mas não pensem que fica só nisso não. É como se ele utilizasse apenas o mote fantástico daquela devoradora de machos de lá, e embarcasse a valer naquele universo, mas por conta própria. Garrett constrói, em menos de uma hora e meia, um filme perturbador e de altíssima linhagem. Na trama, um escritor de histórias policiais sai do interior de São Paulo rumo à capital depois de receber pedido de ajuda de um amigo pelo telefone. Seu destino será a casa da enigmática esposa do sujeito, que tem o hábito de se excitar em uma banheira com uma piranha e depois trepar alucinadamente com os homens que cruzam seu caminho. Começa aí um labirinto para o personagem e para nós, que acompanhamos as situações sexuais desenfreadas que acontecem naquela estranha casa onde o horror parece estar submerso e entranhado no cotidiano. Muito bem realizado – as cenas de sexo de Carla Prado com o peixe na banheira são impressionantes -, O Beijo da Mulher Piranha, ainda que com as limitações do gênero, é filme de quem sempre foi grande.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 009



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


009 – De Pernas Pro Ar (2011), de Roberto Santucci


No ano passado, uma meia dúzia de filmes ultrapassou a marca de um milhão de espetadores e fez os esperançosos em uma indústria do cinema brasileiro vingar rir de orelha a orelha – sobretudo os produtores. Mas quando a gente olha mais de perto para alguns desses filmes que chegaram lá, a impressão que fica é a de uma indústria de péssima qualidade. Como é o caso deste De Pernas Pro Ar, de Roberto Santucci. Diretor com passagem interessante pelo cinema policial – Bellini e a Esfinge (2002), Alucinados (2008) -, Santucci caiu de boca na comédia fácil e a vontade de comer foi saciada. Tanto que já anunciaram um De Pernas Pro Ar 2. É filme produzido pela guerreira Mariza Leão, mas se fez tilintar os sinos da bilheteria é ponto baixo em sua cartela. No filme, Ingrid Guimarães é uma workaholic que não tem olhos para o marido nem para o filho, só mesmo para sua ascendente carreira no marketing. Isso faz o cônjuge caretíssimo Bruno Garcia abandonar o lar doce lar no melhor estilo mulherzinha ninguém me ama ninguém me quer. Só que por uma confusão, ela perde o emprego, aproxima-se da vizinha gostosona Maria Paula, e acaba virando sócia dela em um sexshop. E é na loja de cacetes de todos os tamanhos e cores e calcinhas comestíveis que ela vai colocar todo o seu talento de marqueteira e vai descobrir os prazeres do sexo. Tudo, claro, colocando ainda mais em risco a sua sagrada família. De Pernas pro Ar é mesmo um abacaxi. Roteiro caretíssimo que aposta na dobradinha sacanagem x família, em bula que parece escrita mais pelo igreja católica versão renovação carismática do que por qualquer discípulo de Carlos Zéfiro, é comédia que se acha muito mais engraçada do que realmente é – o que pode ser aplicado à sua protagonista. Há até um ou dois momentos que fazem rir, mas são tão previsíveis em fórmula, que logo depois nos envergonhamos de ter conjugado o verbo. Triste ver Cristina Pereira encarnando mais uma vez o estereótipo que o cinema atual lhe impingiu – saudades de Romance de Empregada (1987), de Bruno Barreto, para ficar em um só exemplo de outrora -, e do desperdício do talento da grande Denise Weinberg.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 008



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


008 – A Noite dos Bacanais (1981), de Fauzi Mansur



Atualmente, as discussões sobre o projeto Genoma e a utilização das células-tronco marcam presença não apenas em publicações científicas, mas em qualquer noticiário do dia a dia e mesa de bar. Mas lá nos anos 1980, o quente mesmo era discutir sobre o Bebê de Proveta. Afinal, foi ali no finalzinho da década anterior que o primeiro veio ao mundo. Pois você acham que o tema intimidou a Boca do Lixo? Claro que não! Já em 1981, chegava às telas este A Noite dos Bacanais, de Fauzi Mansur. Ênio Gonçalves e Zaira Bueno forma um casal rico que depois de três anos de casamento já saiu da fase do mel para a do feijão com arroz. Insatisfeita com a vida sexual morna, ela propõe a ele que os dois passem a frequentar o swing, prática adotada na roda de seus amigos. Reticente e a contragosto, ele acaba sendo jogado no caldeirão. Já ela, esbalda-se cada vez mais em surubas quentíssimas, com direito à fantasias com mulheres, travestis e curras. Quando ele fala sobre o desejo de ter filhos, ela descarta a ideia, pois não quer ficar disforme e nem se sentir aprisionada. É aí então que ele resolve ter um filho de proveta, prática revolucionária da época, mas acaba se envolvendo também com a mulher que vai desenvolver o rebento, interpretada por Solange Couto. Se a Boca é conhecida por usar títulos apelativos, esse aqui está muito aquém do que se vê na tela. Afinal, não é apenas uma noite, mas noites e dias de bacanais cada vez mais apimentados, com a musa Zaira Bueno se expondo sem nenhum pudor. A Noite dos Bacanais é exemplo perfeito para distinguir o que era pornochanchada e o que não era na produção da Boca do Lixo. Fauzi Mansur até que visitou o gênero, como em O Inseto do Amor, mas restringir seu cinema ao rótulo é de uma tacanhice absurda. De ponta a ponta está sua elegância habitual na direção e na construção de climas, e sem lugar para uso gratuito de estereótipos e preconceitos tão caros ao gênero das pornochanchadas. Aqui, o prazer sexual das mulheres tem vez e elas não são apenas objetos dos homens, são donas de suas vontades. Ou seja, o oposto no gênero, já que a postura libertária vem delas e não deles. E Ênio Gonçalves encarna com brilho e talento esse personagem que permite, sem embates recriminatórios e possessivos, esse novo lugar para homens e mulheres - o que lhe reserva também um papel de modernidade anos-luz á frente dos machistas de plantão. No elenco, além das musas Fátima Maluf, Rosa Maria Pestana e Aryadne de Lima, há de se destacar a presença de Solange Couto, linda e magérrima, muito antes de sua farta e popular Dona Jura imortalizada em novela da televisão.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 007



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


007 – Curral de Mulheres (1982), de Osvaldo Oliveira


Muito já se falou sobre o expediente usado pela Boca do Lixo com os títulos apelativos para suas produções, e que, na maior parte das vezes, nada tinha a ver com seus conteúdos. Bom, esse não é, definitivamente, o caso deste Curral de Mulheres, dirigido por Osvaldo Oliveira. Afinal, há mesmo o tal curral e mulheres tem às pencas: Sandra Graffi, Lígia de Paula, Elys Cardoso, Márcia Fraga, Shirley Benny, Kátia Spencer e Vanessa Alves são algumas delas - só para ficar nas musas mais destacadas da Boca. O tal curral fica em uma fazenda perdida no meio do mato, para onde os traficantes de mulheres interpretados por Maurício do Valle e Elizabeth Hartmann atraem moças com promessas de grana fácil, mas sem revelar o real destino reservado para elas - serem vendidas por muita grana. Se a contragosto a maioria acata sua sina, o mesmo não acontece, sobretudo, com a personagem de Sandra Graffi, que fará de tudo para se libertar. Curral de Mulheres é o tipo de pornochanchada em que toda a ação da trama está desenvolvida para justificar a nudez de suas atrizes e seus roças simulados com um bando de marmanjos tarados. Elizabeth Hartmann, sempre grande atriz de elegância habitual e forte presença, até tenta dar alguma dignidade para sua Helena, mas é mesmo uma batalha inglória com o que tem à disposição no roteiro mal ajambrado de Oliveira e Alfredo Palácios. Roteiro que, aliás, se divide em quase dois filmes, pois lá pelas tantas o inferno das meninas passa a ser não mais os traficantes e sim os perigos da selva e dos garimpos. Oliveira e Palácios colocam ainda em cena um pastor gay dono de garimpo, uma bichinha tralalá, cenas de sexo sem mais nem pra quê com personagens circundantes, e por aí afora. Enfim, um enxerto tão indigesto como o sentimento de paz expresso por Graffi em cena de gran finale, que poderia ter função irônica – já que aquele casal formado pode ser mais um nos moldes dos traficantes -, mas cujo resultado só faz incômodo pela má carpintaria.

domingo, 8 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 006


Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)



006 – O Casal (1975), de Daniel Filho


Daniel Filho é hoje braço poderoso da Globo no cinema, para muitos sinônimo da Globo Filmes. Já durante as décadas de 1970 e 80, foi o todo poderoso da TV Globo, responsável pela área da teledramaturgia formada por novelas, minisséries, especiais, séries, seriados e também por alguns programas musicais. Este O Casal é dessa fase primeira, época em que na TV dirigia o megassucesso Pecado Capital (1975), de Janete Clair. Se hoje, Daniel Filho é acusado, nem sempre justamente, de imprimir uma estética televisiva no cinema via Globo filmes, o mesmo jamais poderia ser dito sobre O Casal. Há cinema ali. A história é uma adaptação, assinada por Oduvaldo Vianna Filho e Daniel, da peça do primeiro, Enquanto a Cegonha não vem. José Wilker e Sônia Braga formam um casal que vivencia as dores e delícias da espera de um filho. Ele é um professor de história às portas do teste de mestrado que tem que mudar sua rotina com a chegada do filho, a fim de faturar mais grana para dar conta do recado. E, mais que isso, como ele próprio diz, ter que virar “hominho”. Já ela é uma romântica, que ainda que perceba que as coisas não estão fáceis, não abre mão de alguns desejos burgueses. Daniel Filho dirige bem essa terna história, que é cara dos textos sobre a classe média escritos por Vianninha. Não é um grande filme, mas tem força principalmente na carga emocional impressa pelos seus atores. Quando Jack Nicholson resolve parar de ligar o piloto automático, deixar de lançar mão de suas caretas e atuar de verdade como nos bons tempos, ele mostra do que é capaz – como fez, por exemplo, em Melhor é Impossível (1997), de James L. Brooks. O mesmo acontece com José Wilker, que tem o primeiro como ídolo. Há muito, Wilker parece usar o mesmo piloto automático e o mesmo repertório de caretas. Mas quando quer ser o grande ator que é não sobra para ninguém, como fez em O Maior Amor do Mundo (2006), de Carlos Diegues. O Casal é da fase em que sua maestria era constante, tanto na TV – Gabriela (1975), de Walter George Durst, quanto no cinema – Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto. E ele arrasa como o inseguro Giacometti. Já sobre Sônia Braga virou um clichê descrevê-la como uma força da natureza. Mas é quase mesmo impossível não nos vir essa associação vendo-a em cena, esbanjando carisma e emoção à flor da pele. Há que se destacar também o elenco coadjuvante, sobretudo as presenças de Antonio Pedro e Betty Faria - linda -, na época casada com Daniel.


sábado, 7 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 005



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)



005 – As Panteras Negras do Sexo (1983), de Ubiratan Gonçalves



O cinema americano dos anos 1970 não consagrou apenas cineastas mundialmente conhecidos como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e Steven Spielberg. Viu também suas telas sacudidas por movimentos e gêneros que influenciariam outras cinematografias. Um exemplo? O chamado Blaxploitation, gênero que colocou os negros nas telas em filmes de baixo orçamento, atuando e dirigindo, em tramas policiais eletrizantes. O Blaxploitation veio bater a porta da produção brazuca, encontrando na Boca do Lixo geografia perfeita, já que ela sempre foi espaço efervescente a gerar filmes dos mais diferentes gêneros e subgêneros, ainda que muitos quisessem condicioná-la apenas às pornochanchadas. Em 1983, era lançado no Cine Olido, em São Paulo, As Panteras Negras do Sexo, produzido e dirigido por Ubiratan Gonçalves, com argumento e roteiro dele e de Ody Fraga. O filme é fita nos moldes dos Blaxploitation - mas com molho brasileiro, como a ode às mulatas - protagonizados por negros e aliando sexo e trama policial, junção que a Boca sempre fez, mas quase nunca com esse tipo de elenco a frente. A trama coloca em cena uma família negra endinheirada conduzida com mão de ferro pelo patriarca interpretado pelo saudoso Henricão, cujos valores de conduta moral parecem um tanto antiquados aos olhos de seus numerosos filhos. Logo no começo, uma jovem é assassinada e jogada no mar por um playboy, e pouco depois vamos saber que ela é a filha caçula de Henricão, que como seus filhos, sabe que a menina desapareceu, mas desconhece seu trágico destino. É aí que sem denunciarem para a polícia, eles vão se unir para tentar descobrir o que aconteceu e quem está por trás disso tudo. Filme injustamente invisível na filmografia brasileira, As Panteras Negras do Sexo desperta o interesse o tempo todo e ficamos realmente cúmplices de sua história. Ubiratan Gonçalves conduz bem sua trama e o mestre Pio Zamuner consegue imprimir cores quentes em sua fotografia sintonizada com seu foco. O roteiro claudica um pouco em cenas com um certo descompasso, mas segura a onda durante 60 minutos. Só que nos últimos 20 minutos a coisa desanda, e a gente fica cafifando sobre o que pode ter acontecido para o filme ter um desfecho tão apressado e nas coxas: faltou dinheiro? Deu a louca nos roteiristas? É realmente uma pena, pois desperdício de um potencial que se bem finalizado elevaria o filme em altos decibéis, colocando este As Panteras Negras do Sexo em outro patamar - inclusive em nossa memória.

Em tempo: como assinalou o amigo Sergio Andrade nos comentários, tinha faltado registrar a presença do então jogador Serginho Chulapa no texto. No filme, ele também faz um jogador, que é irmão da moça assassinada. É o protagonista, mais pela fama que pela importância de seu personagem en cena, já que o que vale ali é conjunto.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 004



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


004 – Bacanais na Ilha das Ninfetas (1982), de Osvaldo Oliveira



Bacanais na Ilha das Ninfetas é filme da última fase de Osvaldo Oliveira, grande fotógrafo e câmera, e um importante cineasta da Boca com vinte filmes no curriculo – dentre eles, os cultuados Histórias que nossas Babás não contavam (1979) e A Prisão (1981). Carcaça, como era chamado, morreria pouco tempo depois, em 1990, dirigindo ainda A Fêmea da Praia (1983). Neste Bacanais na Ilha das Ninfetas o que se vê é uma daquelas farsas eróticas produzidas em série pela Boca, com muito peitinho e periquitas de fora e humor pastelão. A precariedade de recursos nas produções era revertida com criatividade, mas aqui não há muita salvação. O roteiro é uma grande presepada, importando mais as cenas com as moças despidas e suas transas em bando com o mocinho alucinado com suas pererecas em formato de coração colorido - os tais bacanais do título. Ele é o cantor romântico Dick Boy - Márcio Prado, e elas são Zilda Mayo, a parceira Marisa, e as ninfetas Maristela Moreno, Jussara Calmon, Mara Carmen e Cristina D´Avila. Dick e suas meninas encontram um tesouro numa ilha, mas logo ele e Marisa botam a mão na bufunfa e pegam rota de fuga. No encalço deles vão as meninas e também três marginais que querem a grana - a perseguição envolve carros, bicicletas, barcos, caminhadas e correrias. Bacanais na Ilha das Ninfetas tem cenas inacreditáveis, como as meninas fazendo escovinha na genitália e a aparição de um homem das cavernas, extenuado sexualmente pelas ninfetas - há ainda o dublador Pablo, trepando no mato com sua famosa cara pintada. O grande achado do filme é mesmo a presença de Zilda Mayo, muito boa em comédia com sua voz inconfundível, fazendo aqui uma mulher alucinada por banana. Se em A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, temos o inesquecível apelo em forma de bordão “paga uma cuba, bem”, aqui o que há é “tô com vontade de comer banana”, dito safadamente por Zilda, e o melhor é que o desejo insaciável é pela fruta mesmo. Maristela Moreno tem seus momentos e Jussara Calmon também diverte com sua Tânia Tiroteio, mas é Zilda que rouba a cena. Mesmo porque parece estar ali mesmo é para se divertir, não levando a sério sua personagem um minuto sequer. Ao contrário do que promete o cartaz, não há cenas de sexo explícito no filme, não pelo menos nesta cópia assistida.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 003



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.


(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 – 72 filmes)


003 – Sonhos de Menina Moça (1988), de Tereza Trautman



Uma olhada rápida no elenco deste Sonhos de Menina Moça faz a gente logo pensar que seja um filme de Walter Hugo Khouri – ainda que fosse improvável que o mestre usasse um título assim. É porque o desfile de deusas na tela é impressionante. Vejam só: Tonia Carrero, Louise Cardoso, Marieta Severo, Selma Egrei, Monique Lafond, Xuxa Lopes, Zezé Motta, Íris Bruzzi, Norma Blumm, Gabriela Alves, Flávia Monteiro, Angela Figueiredo, Dóris Giesse. Mas não, é filme da cineasta paulista radicada no Rio de Janeiro desde os anos 1970, Tereza Trautman. Aliás, foi em terras cariocas que a cineasta dirigiu um marco feminino dos anos 70: Os Homens que Eu Tive – idealizado para Leila Diniz, mas protagonizado por Darlene Glória depois da trágica morte de Leila. Não só pela temática, que falava dos anseios da mulher moderna, mas por também ser longa pioneiro de uma diretora naquele momento, já que até os anos 60 apenas seis mulheres tinham chegado a conduzir um filme no formato. Portanto, Tereza Trautman tem mesmo o que dizer, e, melhor, sabe como fazê-lo ao se debruçar sobre esse universo - é ela que também assina o argumento e o roteiro. Aqui, ela mira sua lente para uma família chefiada pela matriarca belamente interpretada por Tonia, que se reúne para uma grande despedida, já que aquele será o último dia de permanência de todos na mansão, que fora vendida. Abre-se palco então para o despertar de memórias, rancores, frustações, amores mal resolvidos, traição, drogas e casamentos assim assim. Algumas palavras, verbos e dizeres se tornaram verdadeiros clichês esvaziados pelo uso constante e sem peias, como "comunidade", "instigar" e “no tempo da delicadeza”. Mas ainda que seja armadilha anunciada, é impossível não pensar nesse tempo delicado que a cineasta construiu para soltar suas feras na arena. Todos os sentimentos, fortes ou leves, estão lá, mas há uma ternura impregnada em sua lente que nos faz olhar para aquilo tudo como se estivéssemos mesmo folheando álbuns de retratos ou assistindo filmes Super-8 caseiros, como os personagens fazem. Só que jamais sem exalar mofo ou tempo estagnado. Os personagens de Trautman pulsam, e ainda que seus desejos e temores sejam, afinal, em grande parte, sentimentos burgueses, nunca deixa de ser interessante olhar para aquela paleta de cores que ela desenhou e descortina à nossa frente.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 002



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2012 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(2m 2011 – 72 filmes)



002 – Passaporte para o Inferno (1976), de J. Marreco

Não é só o cinema americano que gosta de filmes de perseguição. Em sua história, vez ou outra, o cinema brasileiro também dá as caras nesse subgênero. Exemplos: os bacanas Arara Vermelha (1957), de Tom Payne, e Fêmeas em Fuga (1984), de Michele Massimo Tarantini. Só que em Passaporte para o Inferno, o cineasta J. Marreco se equivocou terrivelmente. O problema maior está no roteiro, também assinado por ele. Vejam só: quatro bandidos perigosos escapolem da prisão, e o presídio, ao invés de acionar a polícia, chama um caçador de fugitivos para capturar os tais. Em meio a isso, uma patricinha briga com o pai dominador, termina com o noivo babão e parte em teco teco para integrar equipe de faculdade no melhor estilo Projeto Rondon – um convite tentador à aventura para quem foi estudante nos anos 1970 e 80. Só que lá pelas tantas o avião pifa, o piloto, que tem que fazer pouso forçado, morre, e resta ela, que fica ferida. Agora imaginem onde ela caiu? Claro, justamente no caminho dos bandidões. Pronto, está aí a trama do filme. Bom, mesmo com esse rame rame, daria para fazer algo bacana se o roteiro de Marreco não enfrentasse a história com bocejos sem fim. O caçador poderia ser o cão, pois é personificado por Jonas Melo, um ator que tem perfil para ser um temido capitão do mato. Só que o que ele faz o filme inteiro é seguir a trilha dos moços sem erro, como se eles, feito Joãozinho e Maria, deixassem bagos de milho sinalizando o caminho; chegar aos locais sempre depois do bando; e ficar ligando para a central que o contratou para dar notícia de tudo o que acontece. Ou seja, ação quase zero. Já os bandidões – Cazarré, Gilberto Sávio, Darcy Silva e Walter Prado - personificam os clichês de sempre, ainda que Marreco queira lhes dar uma certa identidade: o líder é chamado de Profeta, pois vive com a bíblia debaixo do braço, bastando ouvir o nome santo de Deus em vão para disparar sua garrucha; um é o estuprador sacana; outro faz cara de bom moço e, quando baleado, tornar-se estorvo para o bando; e o último um aloprado que ri o tempo todo de tudo e de todos. Um detalhe perturbador: eles nunca parecem sentir fome ou sede, pois são capazes de jogar as latas de leite fora sem sequer conferir se tem líquido lá dentro; chegam a um rio depois de longa caminhada, mas não se atiram na água para beber ou se refrescar. Já a mocinha é a musa da Boca, Fernanda de Jesus, que sem mais pra quê é capaz até de chorar com a morte deles. Enfim, tudo muito frouxo nesse filme do cineasta que vinha do comenatado A Carne (1975) e logo depois faria o bacana Emmanuelle Tropical (1977), respectivamente com as deusas Selma Egrei e Monique Lafond.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2012 - 001




Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)
(em 2011 - 72 filmes)



001 – Meu Destino É Pecar (1952), de Manoel Pellufo

Suzana Flag foi o pseudônimo que Nelson Rodrigues usou para escrever folhetins para mulheres nos jornais diários dos anos 1940 e 50. Mas não esperem apenas amores melodramáticos vencendo barreiras aparentemente intransponíveis para garantia do final feliz. Claro que eles estiveram lá, pois amores assim e finais felizes idem sempre foram a base de todo folhetim que se presta – e estão aí até hoje nossas telenovelas para continuidade ao legado. Só que nos romances de Flag, nos entornos das histórias, também estavam garantidos lugares para obsessões, matriarcas egoístas, disputas familiares, sentimentos extremados. Meu Destino É Pecar é dos grandes sucessos da pena de Flag, por duas vezes adaptados para o audiovisual: virou filme e virou minissérie. A minissérie foi ao ar em 1984 na TV Globo, adaptado com brilho por Euclydes Marinho. Lucélia Santos foi a protagonista Leninha, em elenco estelar em que se destacavam ainda Tarcísio Meira, Marcos Paulo e Esther Góes. Aliás, a década de 80 foi de ouro para a dobradinha Lucélia/Nelson, pois a atriz esteve em mais três filmes baseados na obra do escritor: Engraçadinha (1981), de Haroldo Marinho Barbosa, Bonitinha, mas Ordinária (1981) e Álbum de Família (1981), ambos de Braz Chediak – e nos quatro trabalhos sempre com talento gigante. Só que antes, muito antes, Meu Destino É Pecar chegou aos cinemas em produção da Maristela, em 1952. Dirigido por Manoel Pellufo, o filme é protagonizado por Antoniette Morineau – uma das estrelas do estúdio paulista -, mais Rubens de Queiróz como Paulo, Alexandre Carlos como Maurício, e Zilah Maria como Lídia. É curiosa essa adaptação, que dilui bastante os entreveros do folhetim, mas consegue impregnar uma certa ambiência doentia em sua história. Pena que tenha contado com atores fracos para dar vida a personagens tão marcantes, salvando apenas a musa Morineau, que não faz feio com sua Lena. Já Zilah Maria perde a chance de emplacar sua Lídia – a personagem mais interessante da história -, compondo de forma exteriorizada a mulher obcecada pela cunhada Guida, que havia sido morta estraçalhada pelos cães da casa. Faz sentir saudades de Esther Góes, que arrasou na minissérie impregnando ambiguidade sexual em sua doente obsessão.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

longas brasileiros em 2011



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)




001 - O Gerente, de Paulo César Saraceni
002 - Elza, de Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldin
003 - VIPs, de Toniko Melo
004 - Malu de Bicicleta, de Fávio Tambellini
005 - A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande
006 - Brasil Animado, de Mariana Caltabiano
007 - Enchente, de Julio Pecly e Paulo Silva
008 - Remissões do Rio Negro, de Erlan Souza e Fernanda Bizarria
009 - Sertão Progresso, de Cristian Cancino
010 - Olhos Azuis, de José Joffily
011 - Santos Dumont - Pré-Cineasta?, de Carlos Adriano
012 - Os Monstros, de Guto Parente, Luiz Pretti, Ricado Pretti e Pedro Diógenes
013 - Riscado, de Gustavo Pizzi
014 - Vigias, de Marcelo Lordello
015 - Transeunte, de Eryk Rocha
016 - Eu e meu Guarda-chuva, de Toni Vanzolini
017 - O Céu Sobre os Ombros
018 - Ex-Isto, de Cao Guimarães
019 - Flordelis - Basta uma palavra para mudar, de Marco Antonio Ferraz e Anderson Corrêa
020 - A Família do Barulho - Julio Bressane
021 - Finis Hominis, de José Mojica Marins
022 - O Grande Palhaço, de William Cobbett
023 - O Enterro da Cafetina, de Alberto Pierealisi
024 - A Filha de Madame Betina, de Jece Valadão
025 - Angela, de Tom Payne
026 - Uma Aventura aos 40, de Silveira Sampaio
027 - Caingangue - A Pontaria do Diabo, de Carlos Hugo Christensen
028 - Casinha Pequenina, de Glauco Mirko Laurelli
029 - Meus Homens, Meus Amores, de José Miziara
030 - A Herança dos Devassos, de Alfredo Sternheim e César Cabral
031 - Corpos Quentes, De Alfredo Sternheim
032 - Orgasmo Louco, de Alfredo Sternheim
033 - Sexo Doido, de Alfredo Sternheim
034 - Sexo, Sua Única Arma, de Geraldo Vietri
035 - Adultério por Amor, de Geraldo Vietri
036 - Ninguém Segura Essas Mulheres, de Anselmo Duarte, Jece Valadão e José Miziara
037 - Tchau, Amor, de Jean Garret
038 - O Paõ que o Diabo amassou, de Maria Basaglia
039 - Coisas Eróticas, de Raffaeli Rossi
040 - Viagem ao Céu da Boca, de Roberto Mauro
041 - O Menino e o Vento, de Carlos Hugo Christensen
042 - Sete Dias de Agonia, de Denoy de Oliveira
043 - Em Família, de Paulo Porto
044 - Quando as Mulheres Querem Provas, de Claudio MacDowell
045 - Xica da Silva, de Carlos Diegues
046 - Rico Ri à Toa, de Roberto Farias
047 - O Corte do Alfaiate, de João Castelo Branco Machado
048 - Redenção, de Roberto Pires
049 - Malditos Cartunistas, de Daniel Garcia e Daniel Paiva
050 - O Homem do Sputnik, de Carlos Manga
051 - Forever, de Walter Hugo Khouri
052 - Paixão Perdidia, de Water Hugo Khouri
053 - Um Certo Capitão Rodrigo, de Anselmo Duarte
054 - Cordélia, Cordélia..., de Rodolfo Nanni
055 - Patriamada, de Tizuka Yamasaki
056 - Fora das Grades, de Astolfo Araujo
057 - Seu Florindo e Suas Duas Mulheres, de Mozael Silveira
058 - Matou a Família e Foi ao Cinema, de Julio Bressane
059 - Mágoa de Boiadeiro, de Jeremias Moreira Filho
060 - O Máu Caráter, de Jece Valadão
061 - Estou com Aids, de David Cardoso
062 - Cinema de Lágrimas, de Nelson Pereira dos Santos
063 - O Palhaço, de Selton Mello
064 - País do Desejo, de Paulo Caldas
065 - Meu País, de André Ristum
066 - Os Residentes, de Tiago Mata Machado
067 - Sagrada Família, de Sylvio Lanna
068 - As Armas, de Astolfo Araujo
069 - O Quarto, de Rubem Biáfora
070 - Cada um dá o que tem, de Adriano Stuart, John Herbert e Sílvio de Abreu
071 - Rádio Pirata, de Lael Rodrigues
072 - A Noite das Fêmeas, de Fauzi Mansur

segunda-feira, 2 de maio de 2011

longas brasileiros em 2011 (019)




Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)

019 - Sexo, Sua Única Arma (1981) de Geraldo Vietri **1/2

Em Sexo, Sua Única Arma, Selma Egrei protagoniza seu segundo filme com o cineasta e novelista Geraldo Vietri, neste que é o último dele. Na trama, ela é Marta, uma mulher que chega como hóspede um tanto indesejada na casa de uma família e bota a vida de todos de perna para o ar. O filme começa com Marta em viagem de trem, em bela abertura ao som de canção-fetiche de Vietri. Ela é esperada na estação por Humberto - Serafim Gonzales, e aí ficamos sabendo que ela é cega. As informações são colocadas aos poucos, pois durante um bom tempo da narrativa não se sabe porque ela chegou àquela casa. A família de Humberto é formada ainda por sua esposa Angelina – Leonor Lambertini, que desde o início demonstra claramente seu desgosto com a chegada da hóspede. Angelina comanda a família com mão de ferro e gosta de humilhar a nora Judite – Geórgia Gomide e seu neto, por ambos serem judeus. Há ainda outra nora, Anita – Arlete Montenegro, que vive com o marido e o filho adolescente Bruno – Douglas Mazolla. Tem também Tiago - Ewerton de Castro, filho do casal que se tornou padre. Já no primeiro instante, Marta começa a seduzir todos os homens da casa, que ficam impactados com sua beleza e seu ar de mistério. Nem mesmo padre Tiago consegue fugir dos assédios de Marta, e é com o desenrolar da trama que vamos descobrindo a verdadeira identidade dela e seus reais motivos em estar na casa daquela família. A personagem de Selma Egrei é um misto do Terence Stamp de Teorema (1968), do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, que como um anjo chega em meio a uma família burguesa e seduz a todos, desestruturando cada um de uma maneira diferente. Aqui, em Sexo, Sua Única Arma, os motivos são bem diferentes, mas é impossível não se lembrar da trama de Pasolini. Se a direção de atores é ótima, o mesmo não pode ser dito do roteiro, um tanto apressado na condução da trama, e também uma mão um tanto pesada de Vietri na condução do filme como um todo. Talento extraordinário que ele possuía, como pode ser visto nos dois filmes imediatamente anteriores, o maravilhoso e surpreendente Os Imorais (1979), e Adultério Por Amor (1978). O grande destaque do elenco é sem dúvida Arlete Montenegro, que tem aqui uma de suas melhores interpretações no cinema, como a magoada e rejeitada Anita.

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longas brasileiros em 2011 (018)







Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)

018 - Adultério por Amor (1978), de Geraldo Vietri ****

O encontro entre a musa Selma Egrei e o cineasta – também novelista veterano – Geraldo Vietri rendeu dois filmes: Adultério por Amor (1978); e o segundo na década seguinte, Sexo, Sua Única Arma (1981). Mas foi esse primeiro encontro dos dois nas telas, Adultério por Amor, o melhor momento da parceria. No filme, ela é a protagonista Natália, a jovem esposa de Guido - Luiz Carlos de Morais. O casal tinha tudo para ser feliz, mas o casamento está naufragando porque há três anos que espera um filho que nunca vem. Guido coloca a culpa em Natália, e cada dia fica mais distante e sem paciência com a rotina do casal. Receosa de que o casamento acabe, ela faz um exame e descobre que o marido é estéril. Sem coragem de contar para ele, Natália toma o caminho mais arriscado ao conhecer um jovem em uma cidade do interior mineiro – Ewerton de Castro. Adultério por Amor reúne mais uma vez Egrei e Castro, que já estiveram juntos em A Noite do Desejo (1973), de Fauzi Mansur, e que voltariam a se encontrar sob a direção de Geraldo Vietri em Sexo, Sua Única Arma (1981). Filme de interesse sempre crescente, Adultério por Amor é prova cabal do quanto o cineasta dirigia bem seus atores – não a toa sempre gostava de trabalhar com um elenco fixo. Vietri demonstra elegância na direção, nesse filme produzido por Cassiano Esteves. Para isso contou com a boa presença do elenco e também com a montagem do mestre Sylvio Renoldi e a fotografia de Antonio B. Thomé. Como sempre fez em suas novelas na televisão, aqui Vietri também tem presença total na feitura do filme, assinando além da direção, o argumento, o roteiro e a cenografia. Destaque também para a música de Caion Gadia.


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sábado, 23 de abril de 2011

longas brasileiros em 2011 (017)



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)

017 - A Herança dos Devassos (1979) de Alfredo Sternheim - co-direção de César Cabral ****

A Herança do Devassos (1979) foi uma produção conturbada na carreira de Alfredo Sternheim. Co-produção Brasil/Argentina, o filme foi dirigido por César Cabral e Sternheim, sendo que os dois se desentenderam durante as filmagens. Confusões à parte, A Herança dos Devassos é filme belíssimo, com todo um clima doentio de perversão, incesto e sombras que circundam uma família disfuncional. Mais de uma vez Alfredo Sternheim já disse que Walter Hugo Khouri, com quem trabalhou em A Ilha (1961/63) e Noite Vazia (1964), foi sua verdadeira escola. Mas sempre faz questão de dizer também que seu cinema é bem diferente do mestre. Com certeza porque é mesmo, e também por causa de uma certa parte de uma crítica implicante, que o denominava um sub-Khouri no início da carreira. Só que nesse caso aqui é impossível não se lembrar do mestre, seja por causa da presença de Sandra Bréa e Roberto Maya, dupla dos inesquecíveis O Prisioneiro do Sexo (1979) e Convite ao Prazer (1980), seja pela forma como filma suas atrizes, Bréa e Elisabeth Hartmann, em imagens belíssimas – a direção de fotografia e a camera é do craque Antonio Meliande. A Herança dos Devassos tem como tema central a degradação de uma família aristocrática. Quando a matriarca morre, o casal de filhos, uma tia, e o mordomo recebem a visita da viúva de um primo, que vem para o velório e para a abertura do testamento. Inadvertidamente, essa prima Délia, interpretada por Sandra Bréa, envolve-se amorosamente com Rogério, vivido por Roberto Maya, um dos filhos da falecida. Esse fato despertará a ira de Laura, interpretada por Elisabeth Hartmann, que mantém uma relação quase incestuosa com o irmão. Délia acaba por descobrir os segredos e os fantasmas que rondam aquela família e aquela casa, e quando resolve ir embora se vê presa em uma teia que poder lhe custar a própria vida. O elenco, que conta ainda com Francisco Cúrcio, Claudette Joubert, Ricardo Dias, Mara Prado e Edward Freund, está sensacional. Mas é realmente no trio protagonista em perfeita sintonia, que esse A Herança dos Devassos encontra seu ponto alto.


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longas brasileiros em 2011 (016)



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)

016- Corpos Quentes (1987), de Alfredo Sternheim ****

Corpos Quentes é dos filmes prediletos de Alfredo Sternheim da sua fase explícita. Não há como discordar do cineasta, pois Corpos Quentes é mesmo um baita filme. A trama começa com um assédio de um garotão por uma mulher em um bar que poderia ser como outros tantos que acontecem nas noitadas. Só que depois da transa, enquanto ela dorme, ele tenta surrupiar sua grana. Ela acorda, nega a pagar o michê, mas é agredida e obrigada por ele a abrir o cofre da casa e entregar-lhe seu dinheiro e jóias. Mal sabia ele com quem estava mexendo. Ela pega o revólver, atira uma balaço nele e o enterra no bosque que margeia sua casa. Essa poderia ser também mais uma daquelas histórias de sexo com final trágico, mas daí ficamos sabendo que a moça já tinha um possível assassinato nas costas, pois fora suspeita de assassinar o próprio marido. E quando o namorado de sua empregada e a própria descobrem o corpo enterrado, e o ambicioso rapaz resolve chantageá-la, eles acabam também por encontrar o mesmo destino das covas no quintal – ainda que mortos acidentalmente. Com tantos sumiços, entram em cena o amigo e a namorada da primeira vítima, e também o irmãos gêmeo da segunda, um padre, que farão de tudo para descobrir o que aconteceu naquela casa. Corpos Quentes tem ótimo roteiro, com personagens muito bem construídos. O filme conta ainda com interpretação arrebatadora de Ludimila Batalov. Atriz de recursos dramáticos e sem pudor em protagonizar as cenas de sexo explícito, Batalov é o ponto altíssimo desse penúltimo filme de Alfredo Sternheim. Durante toda a trama sua personagem é assaltada por pesadelos, todas claro repletas de sexo – é engraçadíssimo ver fantasmas de pau duro e fudendo a valer – , o que exige da atriz ser convincente não só na cama mas também na interpretação. Corpos Quentes é prova de que filme de sexo explícito não precisa ser sinônimo de bagaceira, e aqui Alfredo Sternheim realizou um ótimo exemplar do gênero.

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longas brasileiros em 2011 (015)



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)



015 - Orgasmo Louco (1987), de Alfredo Sternheim **1/2

Orgasmo Louco é título da fase final dos filmes explícitos de Alfredo Sternheim, e também de sua carreira até agora, já que, infelizmente, a partir de 1988, não dirigiu mais. Aqui, a trama tem como protagonista um homem, o ator Ronaldo Amaral, diferente de outros filmes em que muitas vezes coube a mulher ser o centro da cena. Ronaldo Amaral é João, que começa a história saindo da prisão e sendo recebido com afeto pelo irmão. Daí ficamos sabendo aos poucos que o motivo de ter sido trancafiado está ligado ao assassinato da esposa, interpretada por Ludmila Batalov. Aconselhado pelo irmão a esquecer os fantasmas do passado, os dois saem à noite e vão para uma boate, onde João fica fascinado pela stripper – interpretada pela musa Sandra Midori. Os dois iniciam um romance, ainda que João faça de tudo para afastá-la de sua cama, pois não consegue levar o sexo até o final. Contrariando o irmão, João leva a nova pretendente para a casa de praia onde viveu com a esposa. Lá, conta a história de sua vida para ela, e, mais uma vez, se vê de cara com a possibilidade de repetir seu destino. Em Orgasmo Louco, Alfredo Sternheim aproveita a conduta sexual irrefreável da vítima para desfilar mais cenas de sexo explícito, sacrificando mais o roteiro. O filme mantém o interesse, mas não está no mesmo patamar de outros como Sexo Doido (1986) e Corpos Quentes (1987). Em depoimento para o Dicionário de Filmes Brasileiros – Longa Metragem, de Antonio Leão da Silva Neto, Sternheim assinalou o clima noir do filme e ressaltou o trabalho de Sandra Midori: “Mais levado para o filme noir, gosto do resultado e da atuação de Sandra Midori, talvez a melhor que ela fez em meus filmes”. No entanto, é importante também ressaltar a ótima atuação de Ludmila Batalov, que iria brilhar no filme seguinte do cineasta, Corpos Quentes ((1987).

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

longas brasileiros em 2011 (014)



Filmes brasileiros assistidos e revistos em 2011 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)
(em 2010 - 289 filmes)

014 - Sexo Doido (1986), de Alfredo Sternheim ***

A grande diferença entre Alfredo Sternheim e muitos outros realizadores de filmes explícitos é que os dele têm histórias. E alguns poderiam ter sido perfeitamente títulos de produção comercial, a não ser pelas tais cenas de rala e rola, tamanho o cuidado na confecção do roteiro – sem, claro, muitas vezes apela para frases picantes, chulas, divertidas e de duplo sentido: “largue esse telefone e venha falar no meu”. Como é o caso desse Sexo Doido, realizado em 1986 e protagonizado por Sandra Morelli e Fernando Sábato. Sternheim rodou 13 filmes explícitos, sendo Sexo Doido um dos últimos. Ou seja, mesmo trafegando em gênero que dava muito dinheiro, mas nenhuma respeitabilidade – e muitos ataques e desprezo pela crítica -, o cineasta não abriu mão de contar boas histórias e de, ele mesmo, continuar assinando seus roteiros, como sempre fez. Isso sem falar no fato de que também assinava o próprio nome nessas produções, algo incomum na época – seu produtor, Juan Bajon, da Galápalos Produções Cinematográficas, foi outro que também assumiu sua identidade verdadeira nessa fase. Em Sexo Doido, Sandra Morelli é Jô, uma jovem milionária filha de deputado imbuída de vontades feministas e que fica saturada em ser apenas mais um objeto para o desejo masculino. Logo no início da trama ela dá um esporro no namorado que a deixa esperando em encontro marcado, avisa que as coisas vão mudar dali para a frente, vai embora e o deixa plantado no local. Jô entra em um cinema pornô onde está sendo exibido um filme com temática rural, com direito a trepada de cavalos. Rechaça o espertinho que senta ao seu lado cheio de intenções e fica vidrada quando aparece na tela Fernando Sábato, o astro da fita. Jô fica completamente obcecada pelo belo e faz de tudo para conhecê-lo. É aí que arquiteta uma armadilha para o ator e acaba seqüestrando-o em sua casa de praia, onde o prende nu na cama e faz dele seu objeto sexual. Sexo Doido se vale de alguns diálogos discursivos de teor feminista um tanto carregados, e não abre mão de colocar em cena uma bichinha divertida e uma mulher devoradora e libidinosa – ela, interpretada pela musa Márcia Ferro. Mas é mesmo no carisma de Sandra Morelli e no poder da trama que o filme se sustenta. Há de se notar que o tal feminismo da protagonista acaba sendo uma cilada para ela mesmo, pois depois de fazer do moço seu objeto, ela cairá em seus braços apaixonada, enquanto ele está apenas de olho na sua fortuna. Ou seja, o roteiro pisca para a libertação da mulher, mas acaba reservando para ela o papel de vítima eterna. Há de se aplaudir a coragem do cineasta em acrescentar cena de sexo explícito homossexual masculina, de forma alguma apelativa, algo incomum nas produções da época. Em sua biografia na Coleção Aplauso, Alfredo Sternheim elenca Sexo Doido como um de seus filmes preferidos dessa fase e assinala o absurdo de alguns considerarem o filme uma cópia invertida de Ata-me, do espanhol Pedro Almodovar. Está certíssimo. A afirmativa é mesmo absurda, pois Almodovar dirigiu seu filme em 1990, já Alfredo realizou o seu cinco anos antes.


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