domingo, 14 de fevereiro de 2010

sábado, 13 de fevereiro de 2010

longas brasileiros em 2010 (34)


Filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

034 - Estranho Encontro (1957), de Walter Hugo Khouri *****

Um dos filmes mais conhecidos da primeira fase de Khouri, pois foi exibido várias vezes na TV - mesmo que há muito tempo não mostra a cara na telinha. Estranho Encontro é o segundo filme do diretor e ainda que seja na composição bem diverso de outros de seus trabalhos, pois está a serviço de uma direção mais clássica, já se percebe aí o estilo que ele desenvolverá posteriormente e que o fará nome-farol no cinema brasileiro. Mário Sérgio encontra Andrea Bayard perdida e desesperada na estrada e a leva para a casa de sua amante Lola Brah, onde a esconde dela e dos olhos curiosos do caseiro Sérgio Hingst, e ainda a protege de Luigi Picchi, de quem ela foge. Como já se disse a direção é clássica, mas além disso não ser sinônimo de deficiência, essa escolha estética em nada diminui o resultado, que é completamente envolvente. E muito do que é caro ao cineasta já está lá: a fotografia esmerada, a trilha sonora personalíssima, o urdimento de um clima de mistério existencial, a ótima direção de atores, e mulheres deslumbrantes. Bayard está bem como a frágil Júlia, mas quem rouba a cena mesmo é Lola Brah, essa atriz absolutamente imprescindível na história do cinema nacional. Lola dá uma dignidade ofendida à sua personagem e exala sensualidade altiva, ainda que consciente de seus limites. Já no elenco masculino, ainda que todos estejam bem, é Sérgio Hingst que também leva a melhor em uma composição de desafio impertinente. Estranho Encontro já foi porta de entrada para muita gente adentrar o cinema de Khouri, e com apenas uma casa de campo e cinco atores ele fez um filme que é um belo cartão de visitas de um mestre.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

longas brasileiros em 2010 (33)


Filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

033 - Bonitinha, mas Ordinária ou Otto Lara Resende (1981), de Braz Chediak ****

Nelson Rodrigues, felizmente, sempre despertou interesse em nossos cineastas. Mas no inicinho da década de 1980 foi uma verdadeira coqueluche, pois invadiu as telas - e também a TV, e resultou em filmes nem sempre exaltados pela crítica, mas que provocam interesse renovado - e sobretudo para aqueles que conferiram aqueles lançamentos in loco e agora borboleteam na poltrona em gozo engolfado em diversão zéferiana. O cineasta Braz Chediak atacou de três filmes na época e, esperto, se cercou de elencos fabulosos, o que é crucial quando se trata do universo deciosamente crítico-divertido-chocante-pervertido do genial dramaturgo. E em Bonitinha, mas Ordinária, que já tinha originado outra bela produção em 63 dirigida por Billy Davis, não foi diferente. Chediak tem uma direção segura e entende do riscado - é um cineasta que precisa ser mais reverenciado. E ao reunir Lucélia Santos, gigante - a protagonista que é deflorada e para a qual é providenciado um marido para assegurar a honra da família; e mais José Wilker, Vera Fischer, Milton Moraes, Carlos Kroeber, Sonia Oiticica, Henriette Morineau, Monah Delacy, Miriam Pires e Rubem Correa, criou o sustentação ideal para que os diálogos precisos de Nelson soem aos nossos ouvidos como mel conspurcado de esperma e suores. É filme a que se assiste com órgãos genitais hesitantes em ficar duros e molhados, pois com medos ancestrais de serem decepados à lâmina de navalha.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

serie deusas (104)


Annie Girardot.





Nu!!!

serie grandes comediantes (20)


José Santa Cruz , o Jojoca.




Deuses do riso.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

longas brasileiros em 2010 (32)


Filmes brasileiros assistidos ou revistos em 2010 no cinema, no DVD e na televisão.
(em 2009 - 315 filmes)

032 - A Negação do Brasil (2000), de Joel Zito Araújo ****

O cinema de tese, aquele modelo de produção em que os realizadores fazem um filme engessado para referendar o que acreditam ou querem dizer, quase sempre é uma cilada. Mas esse não é, de forma alguma, o caso de A Negação do Brasil, ainda que a intenção de Joel Zito Araújo esteja claríssima já no título do filme. E não é porque interessa também como cinema. O cineasta e pesquisador traça um painel da participação dos atores negros na história da telenovela brasileira, que, como se sabe, é janela de entretenimento e repassadora e construtora de valores simbólicos para a maior parte da população brasileira. Para quem já botou pelo menos um olho, e é difícil encontrar alguém que não, nessa avalanche que é a novela brasileira, assistir ao filme é reencontrar momentos memoráveis dentro do recorte apresentado. E aí estão cenas como o embate entre a explosão da mãe alemã Gertrude de Elisabeth Hartman na defesa do filho negro com os vizinhos em Meu Rico Português (1975), de Geraldo Vietri; ou ainda a inesquecível vilã Rosa de Léa Garcia em Escrava Isaura (1976/77), de Gilberto Braga. Aliás, ótima sacada do diretor em reunir Léa Garcia, Ruth de Souza, Cléa Simões e Maria Ceiça para reverem algumas cenas, como foi feliz também nos depoimentos de Zezé Motta, Walter Avancini e Herval Rossano, esses últimos se justificando, sem muita força de convencimento, o fato de Escrava Isaura e Gabriela não terem sido protagonizadas por atrizes de perfil afro-descendente. Em A Negação do Brasil, que também é livro, Joel Zito Araújo bota no meio da sala da classe média brasileira e dos que se auto-proclamam cabeças pensantes aqueles que, historicamente, essas mesmas classes adoram confinar em quartinhos sufocantes e abjetos, em uma reprodução perversa e and infinitum das casas grandes e senzalas.

Cotações:
+ ruim
* fraco
** regular
*** bom
**** muito bom
***** ótimo

serie grandes cineastas (28)


Tata Amaral.




Patrimônio nacional.